quarta-feira, 12 de agosto de 2009

MOLIÈRE

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“fundamentalmente, Molière é um actor trágico que só as circuns­tâncias de meio, de temperamento ou de talentos particulares levaram a cultivar a comédia; no entanto, em peças como o Misantropo, o Avarento ou Tartufo, a linha de tragédia é bem visível, sob toda a tessitura dos epi­sódios cómicos; a sua grande lição é a do regresso à natureza, com o derruir de todas as instituições em que o homem a contrariou; simplesmente duvida da possibilidade de uma libertação definitiva: os homens são, na sua grande massa, impermeáveis às doutrinas filosóficas que lhes parecem verdadeiras e, no que é obra de arte, mais atendem ao que há de exterior, de brilhante ou de habilidade pura do que ao essencial conteúdo que os deveria impressionar e, se tal fosse possível, lançá-los no caminho direito”[1]

[1] Tartufo (Molière), Lisboa, Edição do Autor, 1946, p. 4.

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