.
“fundamentalmente, Molière é um actor trágico que só as circunstâncias de meio, de temperamento ou de talentos particulares levaram a cultivar a comédia; no entanto, em peças como o Misantropo, o Avarento ou Tartufo, a linha de tragédia é bem visível, sob toda a tessitura dos episódios cómicos; a sua grande lição é a do regresso à natureza, com o derruir de todas as instituições em que o homem a contrariou; simplesmente duvida da possibilidade de uma libertação definitiva: os homens são, na sua grande massa, impermeáveis às doutrinas filosóficas que lhes parecem verdadeiras e, no que é obra de arte, mais atendem ao que há de exterior, de brilhante ou de habilidade pura do que ao essencial conteúdo que os deveria impressionar e, se tal fosse possível, lançá-los no caminho direito”[1]
[1] Tartufo (Molière), Lisboa, Edição do Autor, 1946, p. 4.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.