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“é um epicurista que ficou na primeira parte da filosofia de Epicuro, que não se preocupa muito em olhar a vida como uma missão, mas antes como um breve tempo de luz, de graça e de prazer, entre dois mundos em que as trevas parecem dominar; não aspira a grandes faustos, teme por outro lado, a pobreza importuna: o seu ideal está na dourada mediocridade que, aliviando-o de todos os trabalhos que lhe poderiam roubar tempo, lhe permitia ter a sua casa de campo, conversar com os amigos, escrever sossegadamente as suas odes e as suas sátiras; há em Horácio, apesar dos ataques de cólera que o tomam de onde a onde, uma benevolência universal: se troça de alguém, a zombaria é sempre benigna e com íntimos desejos de que o satirizado continue com os seus defeitos, que tornam o mundo tão gracioso, tão variado, tão habitável; mesmo na Arte Poética em que era tão fácil ser superior e pedante, Horácio se mantém no tom familiar e cortês que lhe era próprio; como arte, as poesias de Horácio são de uma perfeição de estilo, de uma nitidez de trabalho, de uma clara harmonia de linguagem, de uma precisão e sobriedade de imagens que as tornam as de mais apurada técnica de toda a poesia latina”[1]
[1] Literatura Latina, Lisboa, Edição do Autor, 1942, pp. 14-15.
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