.
“há nele também uma intensa simpatia pelas possibilidades da «arraia miúda»; é uma simpatia que não o leva a ocultar os defeitos e as explosões de brutalidade, mas faz, no entanto, que tudo compreendamos como o resultado do estado social das classes populares e das circunstâncias de momento”; “Em face das crónicas de Fernão Lopes, quer atendamos ao fundo, quer à forma, lamenta-se que o Renascimento tenha cortado, com regime e literatura estrangeira, o que estava sendo em Portugal uma criação cheia de originalidade e perfeitamente de acordo com o espírito do nosso povo; uma comparação com a obra de João de Barros é bem interessante: as Décadas, pelas empresas que narram e pelo estilo que se emprega, mostram até que ponto fora o divórcio entre os dirigentes e o país; a unidade do tempo de Fernão Lopes quebrara-se e, pelo menos, para muitos séculos”[1].
[1] A Revolução de Lisboa (Fernão Lopes), Lisboa, Edição do Autor, 1941, pp. 3-4.
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