
Baco e Ariadne, Agostino Carracci, séc. XVI
(Excerto inicial)
Era, na terra, o dia de Natal,
Que Satã festejava alegremente
Com um grande banquete dedicado
Aos Demónios ilustres e também
À plebe demoníaca.
Depois havia danças, na floresta,
E musicais orquestras, inundando
De harmoniosos sons o negro Inferno.
O amor e a embriaguez! O vinho e o beijo,
Dando-se as mãos culposas,
Molhadas de volúpia,
Na dança que desmaia e faz vertigens…
Alegrias cantando desgrenhadas,
Silhuetas efémeras de doidos!
Delírios de Sabat da carne viva,
E loucuras do sangue que fumega!
Risos, bater de palmas, tilintar
De cristais que se partem, e onde a luz
Dir-se-á que também bebe e se embriaga…
Era a festa plutónica maior,
A Festa da Ironia.
[…]
Teixeira de Pascoaes
Muito interessante. Mas Pascoaes tem bem melhor, para quem gosta de satanismo: a satanização de Deus ao criar o mundo, a conversão do Deus-Nada em Deus-Satã criador que, todavia, perante a dor do mundo, se arrepende e converte, no coração de cada homem, no Deus-Cristo redentor...
ResponderEliminarE também há a visão gnóstica de Satã, como aquele que prefigura Cristo, vindo abrir os olhos de Adão e Eva no falso Paraíso do falso Deus.
Agora não sei o que tem este Satã a ver com o satanismo...