quinta-feira, 30 de julho de 2009

REGRESSO AO PARAÍSO, CANTO V


Baco e Ariadne, Agostino Carracci, séc. XVI



(Excerto inicial)

Era, na terra, o dia de Natal,
Que Satã festejava alegremente
Com um grande banquete dedicado
Aos Demónios ilustres e também
À plebe demoníaca.

Depois havia danças, na floresta,
E musicais orquestras, inundando
De harmoniosos sons o negro Inferno.

O amor e a embriaguez! O vinho e o beijo,
Dando-se as mãos culposas,
Molhadas de volúpia,
Na dança que desmaia e faz vertigens…
Alegrias cantando desgrenhadas,
Silhuetas efémeras de doidos!
Delírios de Sabat da carne viva,
E loucuras do sangue que fumega!
Risos, bater de palmas, tilintar
De cristais que se partem, e onde a luz
Dir-se-á que também bebe e se embriaga…

Era a festa plutónica maior,
A Festa da Ironia.

[…]

Teixeira de Pascoaes

1 comentário:

  1. Muito interessante. Mas Pascoaes tem bem melhor, para quem gosta de satanismo: a satanização de Deus ao criar o mundo, a conversão do Deus-Nada em Deus-Satã criador que, todavia, perante a dor do mundo, se arrepende e converte, no coração de cada homem, no Deus-Cristo redentor...

    E também há a visão gnóstica de Satã, como aquele que prefigura Cristo, vindo abrir os olhos de Adão e Eva no falso Paraíso do falso Deus.

    Agora não sei o que tem este Satã a ver com o satanismo...

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