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Um Camões amargurado...
Em vales penados pelo sofrimento, aqui estou eu, apagado por um calor derrotado, onde a chama acesa, reivindica uma centelha, o reencontro até sem palavras, para que a imagem viva se não desvaneça, cruelmente, no mundo das memórias desencontradas. Dou por mim a segurá-la, como se da minha própria vida se tratasse, consciente que o sonho me preenche e que o voo para a transcendência deste Universo figurado, pode radicalizar o fim de uma guerra, onde a única batalha ganha é a do sentimento mútuo e a entrega do coração ao seu desejo. Afastados por quem, ilegitimamente, atribuiu força ao grande poder mundano, para destroçar a emoção e a felicidade de quem protegia, continuo a seguir o caminho, cujo passo para o abismo, será o culminar do meu comportamento, nobre é certo, mas que preferia ter renunciado a essa fidalguia, não agora, mas logo que nasci, pois permitir-me-ia nunca ter sonhado e sobretudo, renunciado à Ilusão de transformar a pequena perdiz que sou, num perdigão por todas as cortes aclamado.
José Carlos Pereira Mendes
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