terça-feira, 16 de junho de 2009

NIGREDO, IV (o poema é para o Casimiro, mas como ele não é egoísta, compartilha-o convosco; sorte a vossa...)



Don Quijote de La Mancha, Gustave Doré, 1863


Dedicado ao Casimiro Ceivães.


São guerreiros poetas, fogos puros,
Armados de ferro negro. Ferro,
Inconsútil chama; ferro da morte e do sonho,
Ferro que a luz seca do sonho transforma
Em ferro de água. Os mananciais ardentes
Que correm na noite inclinada cantam
A arca da loucura e a amada: ferro
Que torna a carne vulnerável
Ao eterno. A morte brilha.

São guerreiros poetas, mortos puros,
Por plainos e vales galopam na noite,
Por plainos e vales lutam na luz,
Por plainos e vales, para casa,
Para as águas soluçantes.

São esqueletos, são gigantes.


Jesus Carlos

2 comentários:

  1. Guerreiros negros da luz! Belíssimo!

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  2. Pela voz dos Poetas fala a Noite e somos.

    Um abraço grande, Jesus Carlos.

    Ah, e não sou egoísta, e ainda que fosse, ainda que fosse.

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