quarta-feira, 10 de junho de 2009

Mais um poema de Fernando Pessoa, a fonte é Georgia


O SONHO DO POBRE
O Sonho começou a sumir-se
antes da Obra ainda se roubar,
devendo por destino esta escapulir-se
para em si mesmo o Sonho se rachar!

Que importa, pois, que os foliões de tez
clara no mar se tivessem banhado,
se foi assim que o banheiro se desfez
para outra vez voltar a ser trancado?!

Se em Copacabana morreu outrora,
numa tarde de Agosto abrasadora,
a flor da mordomia portuguesa,

foi, atchim!, ao danar-se a esperteza
que renasceu este nosso folião
o verdadeiro Dom João!!...

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