sexta-feira, 26 de junho de 2009

Considerar a Pátria Portuguesa como a coisa para nós mais existente



1. Considerar a Pátria Portuguesa como a coisa para nós mais existente, e o Estado Português como não existente.

2. Considerar que a Pátria Portuguesa existe toda ela dentro de cada indivíduo português.
Fazer portanto tudo para si mesmo como português, desenvolver-se a si mesmo no sentido português.

3. Considerar que a Pátria Portuguesa, como qualquer pátria, é apenas um meio de criar uma civilização. Fazer tudo, portanto, portanto para criar uma Pátria Portuguesa criadora de civilização.

4. Considerar que o conceito de Pátria é um conceito puramente místico, e que, portanto,

(1) nenhum elemento de interesse deve entrar nele
(2) nenhum outro conceito místico deve coexistir com ele, a não ser que ele domine esse conceito e o integre em si.

Impossível, portanto:

(1) [...]
(2) ser bom católico, ou bom budista, ou bom qualquer coisa estranha se se é português, a não ser que se queira criar um catolicismo português ou um budismo português ou o que seja português.

s.d.



Sobre Portugal - Introdução ao Problema Nacional. Fernando Pessoa (Recolha de textos de Maria Isabel Rocheta e Maria Paula Morão. Introdução organizada por Joel Serrão.) Lisboa: Ática, 1979, pag 21.

6 comentários:

  1. Este texto de Pessoa levava uma negativa muito baixa em qualquer disciplina de Ontologia ou de Ética.

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  2. Conta lá às pessoas como foste violada por um extraterrestre do Planeta Agostini que bateu à tua porta. Assim ficamos a saber porque te tornaste tão culta...

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  3. Olha faz lá mais um post daquele senhor inglês e em inglês, por favor.

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