Do abismo do ser
A Pátria brota
Brota na medida em que alguém te celebra
Em que se sente a semente que em nós és
Em que, silente, todo um povo te dá voz
Parabéns, pois, Portugal, por mais um ano
Agora, sobre a vela sopra, com toda a verve
Para de novo vento haver, a empurrar a nau
FIDELIDADE
ResponderEliminarDa corte escorraçado a ir servir
em militar ofício no ultramar,
Camões determinou de se assumir
como um arauto do seu pátrio lar.
Com uma mão na espada outra na pena,
prestando culto a Vénus e a Marte,
tocando tanto a tuba como a avena,
lustrou o nome luso em toda a parte.
Queixoso da má sorte e do mau trato
que da coroa teve, nunca ergueu
a voz para aviltar o seu retrato.
Pelo contrário, em tudo o que escreveu,
quer fosse por afecto ou só recato,
engrandeceu a terra em que nasceu!
JOÃO DE CASTRO NUNES