domingo, 10 de maio de 2009

Unamuno

«(...) Miguel de Unamuno, a mais pura glória da Península. Lede este soneto dedicado a Portugal:

Del atlantico mar en las orillas,
desgreñada y descalza una matrona
se sienta al pie de sierra a que corona
triste pinar. Apoya en las rodillas
los codos y en las manos las mejillas;
e clava anciosos ojos de leona
en la puesta del sol. El mar entona
su tragico cantar de maravillas.
Dice de luengas tierras y de azares,
mientras ella sus pies en las espumas
bañando sueña en el fatal imperio
que se le hundió en los tenebrosos mares;
y mira como entre agoreras brumas
se alza don Sebastian, rey del misterio.

O grande estatuário do verso abriu, em castelhano mármore sonoro, o alto relevo mais perfeito e fiel da Pátria portuguesa: a sua paisagem de montes coroados de pinhais, a sua alma saudosa cravando ansiosos olhos de leoa no pôr do sol, e ao longe, entre agoureiras brumas, o corpo sebastianista do seu Sonho.
(...) o autor (...) é o mais profundo e comovido intérprete da Ibéria. (...) Na alma de Unamuno, todas as almas da Península se casaram.»
Teixeira de Pascoaes, Os Poetas Lusíadas

«(...) o espírito, que é palavra, que é verbo, que é tradição oral, vivifica; mas a letra, que é o livro, mata. (...) a alma respira com palavras.
(...) Só aquele que vive na história é que quer viver também na carne, é que quer enraizar a imortalidade da alma na ressurreição da carne.
Miguel de Unamuno, A Agonia do Cristianismo

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