Só quero dormir,
Descansar os olhos
Da vasta podridão do Mundo.
Paira o horror,
O terror,
O egoísmo,
O egocentrismo…
O tédio,
O enfado
De uma existência animal,
Libidinal,
Instintiva,
Desmesuradamente competitiva,
De animais castradores.
Quem vence
Nem sempre é o melhor,
Mas quem parece mais apto
Para aquela função,
Forjada por compadrio.
É a hipocrisia camuflada,
Que dita todas as regras:
As do Ser e as do Não-Ser,
As do parecer-ser,
As do cheio e as do vazio.
E, ainda, falam de Ética?
Mas que Ética,
Se não vigoram mais,
No seio da nossa existência
Individual e colectiva,
Os deveres para com o outro
E os deveres para consigo mesmo?
O falso permanece
Nas relações humanas,
Repletas
De vãs e ilusórias sombras,
Aí plantadas,
No domínio do sensorial,
No império do meramente perceptível.
Isabel Rosete
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