sábado, 18 de abril de 2009

Pela Nau da Palavra, a Terra da Alma II

As palavras servem pa-ra-lavrar a dura terra muda, para abrir sulcos... para navegar através do tenebroso mar de silêncio da vida. A Palavra é a nau, e como a Palavra é criada pelo silencioso corpo: a nau é o próprio mar.

Pois, «há só o mar» [Fernando Pessoa, Mensagem].
E «(...) todos nós somos ceguinhos a cantar o que não vemos.»
Teixeira de Pascoaes, Ensaios de Exegese Literária e Vária Escrita

O Homem não vê palavras, porque Ver é Amar, e as palavras não podem ser Amadas senão encarnadas - na Vida.
A função principal da Leitura é recordar ao Homem a Beleza de ouvir com o olhar, de escutar a Vida: de Ver.

«Ver é ouvir em luz»
Teixeira de Pascoaes, O Homem Universal

«Cantar não basta:
é preciso plantar
a voz nas raízes,
levantar a liberdade.

Onde o Brasil?

Alguma ave oculta
em suas penas
de escuridão?

Há um Brasil
que às vezes calo
junto ao peito represado.

Um outro
que jamais digo
e às vezes não
distingo
do que falo.

O Brasil vai acordando
com a luz.

Tudo é futuro.»
Carlos Nejar, Vozes do Brasil

(Música Açoreana no Dia de Antero)

2 comentários:

  1. De Pé (Saudação a Antero)

    «Força é reconhecer
    Que a morte, quando escolhida
    É uma espécie de antever
    A vida dentro da vida
    É parecida
    Só parecida
    Com a vida por viver

    Num jardim quadrangular
    À vista do oceano
    Pode perder-se o olhar
    Na praia do desengano
    É humano
    Sobre-humano
    É ter um canto p'ra salvar

    De pé, meu canto, não te rendas
    Saúda o mestre das oferendas
    Canta, canta, coração
    Que o poeta só te dá o que lhe dão

    De pé, memória do futuro
    Há sempre luz ao fim do escuro
    Numa ilha só morre o que lá está
    O que conta, no que foi, é o que será

    É bem pobre condição
    Render-se ao desespero
    E ler só morte na mão
    Direita de Antero
    O que eu quero
    Porque quero
    É negar a negação

    Há uma ausência feroz
    Que veste a nossa mágoa
    E esquecemos que é por nós
    Que a fonte deita água
    Mas eu trago-a
    Mas eu trago-a
    É a razão da minha voz»
    José Mário Branco

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