Terra, que és minha, dentro do teu ventre fui
Como uma nau a crescer no ouro-espelho da praia,
Inconcluso, abandonado, escombro, ruína antes
De o ser, feto de búzios no azul de gruta funda,
Uma estranha tapeçaria branca que as Balantas
Estenderam no feitiço. Eu era, eu sou, leopardo
De neve, impossível na raridade e na solidão
Dos monstros sem lar, africano sem me deixarem
Os exílios altos dos imbondeiros, com os Fulas
De bicicleta a perguntar: Nasce, nasce o menino?
Nasce, nasce sim, para além do mar que é tabu,
Numa Irlanda que não é a Irlanda, os silvos e
As chaminés das fábricas e os portos, os portos,
Os navios a partir e a chegar. Saudade, sempre,
Da minha terra que não vem, Mãe Negra, carícia
No poente vermelho de todos os elefantes tristes,
Mestres, que sabem que há um só lugar para morrer.
Jesus Carlos
É curioso como alguns textos, pelo seu peso, interrompem o fluxo. E não estou a falar do elefante...
ResponderEliminarEspelho meu, espelho meu ...
ResponderEliminarSe o mundo cegou porque não cego eu?
O rei vai nu entre súbditos de esquizofrenia e verborreia de infâmia.
Espera-os um banquete de ausência de ideias e os comensais são palavras ocas com sabor ao vazio que os enche.
Não se escondem maus espíritos nas palavras, porque há sempre um dia que o sol não nasce para todos.
Um post de pesos pesados!
ResponderEliminarAbraço.
ainda não cheguei a perceber se vocês gostaram do texto ou não... eu gostei muito!
ResponderEliminarum grande abraço
jorge vicente
Eu gostei!
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