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Aqui há dias escreveu o Paulo (Borges) que o MIL se deveria tornar também num movimento de indignação, mais precisamente, num movimento que desse voz à indignação que se sente um pouco por todo o lado…
Não poderia estar mais de acordo. Para mais, o MIL está numa situação “privilegiada”. Como não depende de subsídios estatais ou de quaisquer outras benesses, não tem qualquer mordaça…
O mesmo não acontece, como todos sabemos, com muitas outras entidades da dita sociedade civil. Em Portugal continua a haver censura – decerto, não tão óbvia como no anterior regime. Ainda assim, vai havendo mais liberdade do que em muitos outros locais do espaço lusófono…
Obviamente, o MIL não se deverá tornar num simples movimento de protesto – daqueles que berram muito alto mas de forma inconsequente, sem apresentarem qualquer proposta. Em momento algum o MIL deve perder a singularidade da sua voz, que também já vai sendo, cada vez mais, reconhecida…
Um exemplo: volta e meia, recebemos e-mails a denunciarem a situação escandalosa dos ordenados e reformas das pessoas que ocupam os mais altos cargos na função pública. O “argumento” é sempre o mesmo: se não lhes damos essas “benesses”, eles não vêm para a função pública…
A esse respeito, importa decerto protestar e dar voz a toda a indignação. Mas isso não chega. Mais do que isso, importa fazer um discurso que recupere alguns valores – pois é aí, desde logo, nos valores (ou na falta deles) que a actual crise radica…
Em primeiro lugar, o valor do “serviço público”. Dizer que “os melhores de nós” não estão dispostos a trabalhar na função pública se não lhes dermos as tais benesses da privada é afrontoso e denota uma completa inversão de valores. Se são de facto “os melhores de nós”, deveriam ser os primeiros a sacrificar-se pelo bem comum…
Obviamente, tudo isso começa antes. Perdeu-se, quase que inteiramente, esse valor do serviço público, do serviço à comunidade, diria mesmo, do serviço à Pátria. O PC (Politicamente Correcto) diz-nos que é demasiado reaccionário…
Uma ideia “herética”: já que se acabou com o serviço militar obrigatório, porque não instituir um serviço cívico obrigatório? Um ano em que, no final do ensino secundário, todos os nossos jovens dedicassem parte substantiva do seu tempo à comunidade…
Que patriotismo pode haver quando a patria se revela madrasta e continua a excluir, a explorar, a desperdicar talentos e a obrigar tanta gente a a emigracao ao a adiar os seus sonhos para sobreviver?
ResponderEliminarPara haver patriotismo tem de haver condicoes para que as pessoas se sintam felizes e realizadas na patria.
Sim, ha o argumento de que e preciso patriotismo para que essas condicoes surjam, mas da minha parte tenho muitas duvidas.
Para que o patriotismo surja, e preciso condicoes concretas que o promovam.
Isso nao se faz com discursos, artigos ou propaganda. Faz-se com uma mudanca politica e economica, com mais igualdade social, com o desmantelamento de uma cultura de nepotismo, com a instituicao de uma meritocracia autentica, com o calar das snobeiras, pedantices e dos preconceitos sociais que tanto caracterizam a nossa sociabilidade e vida cultural, com a redescoberta sadia e nao-instrumentalizada das raizes e dos habitos de um povo, para que este se reveja a si mesmo e nao para que seja utilizado para propositos mistico-politicos.
Recordo que a Declaração de Princípios e Objectivos do MIL não diz apenas respeito ao espaço lusófono e contém um conjunto amplo de finalidades relativas à nação portuguesa, que não podem ser esquecidas. Na verdade, sem arrumarmos primeiro a nossa casa, torna-se difícil contribuir para a melhoria da comunidade lusófona e do mundo. Era isso que pensava Agostinho da Silva.
ResponderEliminarCreio mesmo que o MIL, enquanto movimento de mobilização cívica no espaço nacional, tem uma margem mais ampla e rápida de crescimento do que enquanto meramente promotor da causa lusófona, que não é compreensivelmente uma causa popular, num momento em que Portugal atravessa tantas dificuldades. Gostemos ou não, as pessoas preocupam-se sempre mais imediatamente consigo e com aquilo que é "seu", com o qual mais imediatamente se identificam. Nesse sentido, creio que o discurso e as propostas sobre a Lusofonia não podem deixar de ser, talvez primeiro que tudo, um discurso e propostas sobre Portugal. Isto, todavia, com uma forte tónica supra-partidária, pois é isso que as pessoas pretendem: uma alternativa ao discurso da partidocracia e dos candidatos a partidocratas. É preciso relançar o sentido de Portugal como comunidade ético-cultural, com valores fundamentais a preservar, desde a espiritualidade à justiça social e económica. O que não é fácil, pois os lobbys económico-políticos estão perfeitamente instalados no aparelho de Estado, no marasmo das consciências e na debilidade das vontades. Mas não ser fácil deve ser um estímulo, se a alma não é pequena.
Ha paises onde o servico militar e obrigatoria, tal como a Noruega, onde o servico civico e apresentado como alternativa para objectores de consciencia.
ResponderEliminarExiste a opcao de passar pelo menos parte desse periodo num pais em vias de desenvolvimento como voluntario nas areas de saude, educacao e desenvolvimento economico.
A ser implementado em, Portugal, onde e desaconselhavel o retorno ao servico militar obrigatorio, deveria ser incluido na educacao formal, dando-lhe a vertente practica, civica e humanista que tanto lhe faz falta.
Isto para nao ser visto como "uma seca", "trabalho escravo", ou entrave ao desenvolvimento mais das carreiras e realizacao dos sonhos projectados pelos pais nos filhos (outra questao seria, de dimensao tambem cultural, que deve ser debatida).
Deveria ser obrigatorio para rapazes e raparigas e incluir seis meses numa regiao remota e desfavorecida de Portugal, e outros seis meses num pais em vias de desenvolvimento, dentro ou fora do espaco Lusofono.
«Para haver patriotismo tem de haver condicoes para que as pessoas se sintam felizes e realizadas na patria.»
ResponderEliminarIsso é "patriotismo" de leilão, ou de casino. Serei da Pátria que mais me der...
«o MIL, enquanto movimento de mobilização cívica no espaço nacional, tem uma margem mais ampla e rápida de crescimento do que enquanto meramente promotor da causa lusófona, que não é compreensivelmente uma causa popular, num momento em que Portugal atravessa tantas dificuldades. Gostemos ou não, as pessoas preocupam-se sempre mais imediatamente consigo e com aquilo que é "seu", com o qual mais imediatamente se identificam. Nesse sentido, creio que o discurso e as propostas sobre a Lusofonia não podem deixar de ser, talvez primeiro que tudo, um discurso e propostas sobre Portugal.»
De acordo. Imersas no quotidiano, as pessoas em geral são pouco sensíveis às grandes questões geo-estratégicas. Mas o ponto é também explicar as vantagens - inclusive económicas - do reforço dos laços entre os países lusófonos em todos os planos, da afirmação, a nível mundial, do espaço lusófono como um espaço comum...
"Isso é "patriotismo" de leilão, ou de casino. Serei da Pátria que mais me der..."
ResponderEliminarOu melhor, reaccao natural de quem e tratado abaixo de cao na propria patria?
Quem somos nos para julgar o "patriotismo de leilao" de quem e tratado, "de jure" ou "de facto" como cidadao ou cidada de segunda?
Nesses casos, nao acho que seja "patriotismo de leilao". E antes uma reaccao saudavel. o contrario seria masoquismo.
Dar a vida ou seja o que for pela patria quando esta impede o pleno desenvolvimento e realizacao da pessoa e mais do que masoquismo: E estupidez.
ResponderEliminarObrigar uma pessoa a amar uma patria que nao a ama e que abusa dela e uma das piores crueldades que se pode fazer a um ser humano. E como obrigar a amar um conjugue violento.
ResponderEliminarComo é que se pode obrigar a amar!?
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