sábado, 14 de março de 2009

É preciso poemas em vez de luas

é preciso um cravo na lapela em vez da morte biográfica

é preciso cinco mil reis numa batalha de flores

cinco mil raparigas à espera de serem mães

e outras tantas à espera de serem filhas


É preciso um relógio com um cuco bem atinado

uma eléctrica emoção para nos acordar

um colchão com predicados de amor

um cântaro de fina sabedoria para beber


Uma casa bem ou mal decorada

mas uma casa vinte e quatro horas aberta

e nela me deite de olhos para baixo

e me lembre que o sal grosso não cura feridas


É preciso uma firme roldana a segurar o tempo

este tempo que mal levanta o tampo

Um deus do tamanho da aceitação

um diabo fácil muito fácil de subornar

um abismo para o que pouco nos importa

pois o que importa é inspirar e expirar o poema


É preciso cantar ainda que submersos

é preciso alguém mais do que ninguém

como um pedaço de carne para o estômago

precisamos de poemas à prova de fogo e água

uma nota de vinte para um santo é que não

Não é preciso contribuir para o banquete

para que amanhã haja de novo Sol

porque é a dor dos homens que puxa a claridade aos dias.


o meu blog: teoria dos calhaus

Sem comentários:

Enviar um comentário

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.