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A reivindicação brasileira a um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU deverá ser abordada no encontro dos Presidentes Lula da Silva e Barack Obama, no próximo sábado, mas não é previsível o anúncio do apoio concreto dos Estados Unidos.
Esta é a avaliação de especialistas em Relações Internacionais e diplomatas dos dois países contactados pela agência Lusa.
"Isso não está na agenda dos Estados Unidos, onde a grande prioridade agora é sair do buraco financeiro. Se os Estados Unidos não conseguirem sair da crise, será o caos, a moratória mundial", afirmou o analista Leonardo Barreto.
Na avaliação deste professor da Universidade de Brasília (UnB), além da crise, a outra prioridade do Governo Obama é resolver os problemas deixados pelas guerras do Iraque e do Afeganistão.
"Não há interesse no Brasil, embora os biocombustíveis possam ser uma possibilidade de parceria concreta entre os dois países. A Alca (Área de Livre Comércio das Américas) explodiu com os acordos paralelos entre os Estados Unidos e alguns países da região", referiu.
Para outro analista político, o norte-americano naturalizado brasileiro David Fleischer, da UnB, o interesse brasileiro no Conselho de Segurança da ONU deve ser abordado no encontro entre Lula e Obama, mas "a portas fechadas".
"Provavelmente nada de concreto sairá sobre isto na declaração final, ainda que o documento deva reconhecer o peso do Brasil na América Latina e no mundo", afirmou Fleischer à Lusa.
Em sua opinião, o caminho é a reforma da ONU, no que Obama "pode dar um empurrão", mas não agora.
Fonte da embaixada norte-americana em Brasília, ainda liderada pelo embaixador Clifford Sobel, ex-dirigente do Partido Republicano e apontado com um importante doador da campanha de George W.Bush, também concorda que não deverá haver qualquer alusão ao tema no documento final do encontro dos dois presidentes.
"O tema é ainda muito espinhoso", aludiu, lembrando que, além da Índia, o Japão e a Alemanha também reivindicam um assento permanente no órgão.
A diplomacia brasileira, entretanto, tem agido activamente e demonstrado o seu novo papel de "player global".
Segundo o Itamaraty, o Governo Lula da Silva criou 35 novas embaixadas desde 2003, a maioria delas na África, o que revela um reforço de sua presença no cenário internacional.
O Brasil também lidera, desde 2004, a Missão de Estabilização da ONU para o Haiti, com um contingente de 1.300 militares.
O país colocou-se ainda na liderança dos países emergentes nas negociações no âmbito da Ronda de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) e está a coordenar posições com outros países no âmbito do G-20 Financeiro (grupo de países mais desenvolvidos do mundo e os emergentes) para buscar soluções para a crise mundial.
O Brasil tornou-se até mesmo um doador para a reconstrução da Faixa de Gaza, sendo considerado como o único país da América Latina a ter peso suficiente para entrar nesta complexa questão do Médio Oriente.
Se a pretensão do Brasil de obter um lugar permanente no Conselho de Segurança era manifestada de forma discreta no Governo do ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso, nesta administração, o desejo é claro e já tem o apoio de vários países, entre eles França e Portugal.
Actualmente, o Conselho de Segurança da ONU conta com 15 membros, dos quais apenas cinco são permanentes - China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia.
Tomar parte nesse conselho de forma permanente significa ter mais poder e participar das decisões mais relevantes no âmbito internacional.
Diário Digital / Lusa
Uma causa a apoiar pelo MIL: para mais, se o Brasil aí não se representar apenas a si próprio, mas todo o espaço lusófono...
ResponderEliminarE a pedir uma petição online...
ResponderEliminarMal se ultrapasse a situação que conheces, apresentarei uma proposta...
ResponderEliminarA "representação permanente" no Conselho de Segurança significa, apenas, o direito de veto. Mal andará a diplomacia brasileira (do ponto de vista fáctico, que é o do maquiavelismo político) se pretender agir em nome e representação de interesses que não sejam os especificamente seus (do Brasil enquanto potência). Em que é que os interesses de Moçambique ou de Portugal são diferentes dos do Chile ou da Birmânia no que respeita, por exemplo, à propriedade sobre a Amazónia?
ResponderEliminarSr Renato Epifânia, os brasileiros estão acostumados a conviver e de maneira não egoísta com as diferenças.Portanto, representaria sim o espaço lusófono, se nos basearmos na psicologia do povo brasileiro.
ResponderEliminarSr Casemiro: A Amazônia já está tomada por estrangeiros, pode acreditar que está.
Mas pelos estrangeiros ricos, os mandantes do G8 que lá colocaram há muito tempo, missionários católicos e protestantes, Ongs, e cientistas.
Através disso, mt coisa acontece, sob a cegueira deste governo e de outros anteriores.
Não se preocupem com a Amazônia, ou melhor, preocupem sim.