segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

nunca datei um poema.não é capricho - é desleixo

A coisa parece que está preta

Para os muros

muros, muralhas,
fortalezas
contrafortes

sobretudo estas coisas todas em língua de
S. Majestade
-o inglês de Libra –
e do livra-te (acrescentamos nós em bom alentejano)

porque estas coisas todas
no esperanto actual se dizem WALL
para rimar com Fall
e o Berlin Wall
não foi mais do que o prenúncio de WALL-
Street
Fall

Estou- me nas tintas para que se desmorone
A fortaleza do dinheiro
- a Wall Street de Nova Iorque –
para que rua
o indigente Palácio da Bolsa de Lisboa

Roque
Amorim
Berardo
Cintra
Azevedo
Não me dizem nada

Abramovich diz-me muito menos
Do que MaiaKowsky
Prefiro de longe
O nosso se calhar teso Herberto Hélder
Ao multimilionário Bill Gates

Ó gente do dinheiro
Não há dollar
Libra euro
Que valha um poema ingénuo do
Mais obscuro e anónimo dos poetas

A vossa fama passa
A vossa ganância de dinheiro morre com o vosso
Último suspiro.

Estão agora à rasca? Tremem que nem varas verdes
Pela insegurança dos frutos
Das vossas falcatruas?

Tremam pois – a mim pouco me importa
A minha Bolsa de Poetas está segura
Pessoa
Eugénio
Ramos Rosa
Não precisam de injecções de capital

É neles que as minhas
Economias estão depositadas.
Leio-os quando vou para a cama
E adormeço
Como se não devesse nada ao Mundo
E o Mundo
A mim nada me devesse.

E como é bem melhor
Ó fátuos milionários de pechisbeque
Como um “principezinho” levitar
Do que fazer todas as viagens
Que possam estar
Nos teus livros de cheques

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