Uma flor abril em meu quintal
(era outono).
Cheguei perto, bem perto,
toquei-lhe as pétalas,
seu cheiro invadiu-me as narinas
e era podre
(senti vontade de vomitar).
Quis agosto arrancando-lhe pelo talo,
Quis a geada de junho.
Uma chuva de granizo;
(nunca mais).
Ela morreu e eu sinto
por vezes ainda o mau cheiro
da flor tão frágil e pálida
e suja e silenciosa
que nunca, nunca mais
abril.
fabricio.fortes@hotmail.com
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