Sob a sombra úmida e singela
descansa a laranja envergonhada.
Compõe a paisagem, madura madura.
É mera laranja, delira discreta.
Não há quase nada afora a laranja.
A relva do pátio, o som de crianças
e as flores vulgares coloridas
como putas flutuando nas calçadas.
Caiu a noite;
caiu do pé
feito uma estrela carnuda;
feito um pedaço da tarde.
Caiu amarela e já sem pudores;
imóvel agora, laranja coitada;
aguarda com calma que alguém a recolha
sem ao menos se dar ao luxo
de um último suspiro.
Calada calada.
Fabrício Fortes [fabricio.fortes@hotmail.com]
"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
ResponderEliminarmas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis".
(Fernando Pessoa)
Venho desejar um Feliz Ano Novo e dizer que no ano de 2009 estarei mais presente no teu Blog.
Conceição Bernardino