.
Este é, antes de mais, um livro escrito com o corpo. Porque só o corpo tem, antes de mais, a experiência do ritmo que atravessa todo o cosmos, todo o ser. De tal modo que, como escreveu Teixeira de Pascoaes, se pode mesmo dizer que “o ritmo é a substância das coisas”.
De um corpo são, mais até, de um corpo atleta – eis o que diria se não conhecesse o autor; conhecendo-o, imagino até que este livro tenha sido verdadeiramente escrito na piscina, ao ritmo das braçadas que ambos tanto gostamos de dar. Como sabem todos os nadadores, a natação é, sobretudo, uma experiência de ritmo, muito mais do que qualquer outra actividade. Na natação o corpo “levita” e, “levitando”, “sem pé”, tem a mais profunda experiência de ritmo que, humanamente, é possível ter.
Obviamente, um corpo, ainda que são, ainda que atleta, não chega. Um corpo sem mente não tem consciência de si e, nessa medida, não apreende esse ritmo. Decerto. Mas a inversa é aqui igualmente, ou ainda mais, verdadeira: uma mente sem corpo também não. É por isso que este livro jamais poderia ter sido escrito por um “anjo” (leia-se: por uma mente sem corpo). Mais. Este é um livro que, a ser lido por um “anjo”, o levaria, enfim, a invejar a condição humana.
Porque só o Homem, enquanto corpo-mente, pode ter a plena experiência do ritmo.
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.