quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O Largo da Graça

13. Salazar

Dizer que Salazar foi bom Governante só pode ser admissível por comparação com as sofríveis políticas destes 30 anos de Democracia. Sobretudo, no que isso significa de mau funcionamento da justiça, da educação, da segurança, do ordenamento catastrófico do território urbano, etc., porque das renovadas crises económicas em que andamos submergidos faz muitos anos, isso já se lhes vai dando de barato.

Dizer que foi o melhor português de sempre, sabendo nós tratar-se de um velho, cinzento, decrépito, tirano, fascista, líder de um regime autoritário, opressor, sem permitir a liberdade de expressão, de reunião, onde imperava o lápis azul da censura, rodeado por uma polícia política feroz capaz das técnicas de tortura mais inadmissíveis, responsável por uma guerra colonial sem sustentação histórica que ia destruindo vidas atrás de vidas, no corpo e na alma, com muitos ed-cétera, porque agora não há tempo para mais.

Enfim, dizer que Salazar foi o melhor Português de sempre só é possível num povo inculto, pouco esclarecido, com enorme défice de compreensão da nossa História, que troca o acessório pelo fundamental, num concurso promovido por uma televisão mentecapta que vai servindo, excessivamente, telenovelas e futebol no horário de maior audiência.

E depois queriam o quê?

Luis Santos

3 comentários:

  1. Quando tiver algum tempo disponível, farei mais umas "breves notas". Para uma visão não maniqueísta da História...

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  2. Não te esqueças de começar por definir maniqueísmo.

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