Aflora o sentimento pela perda de alguém,
surge o reconhecimento e a dor vem.
Comummente, partilhar é desejo também,
sozinhos não somos ninguém.
Chove na terra que me há-de aquecer,
guardo o seu odor, sem saber o que fazer.
Será renascimento ou arte de viver?
Mistérios da ciência ou incógnito saber…
A noite é densa e não tenho um regaço!…
De olhos cerrados estou perdida no espaço.
Se me quedo nas trevas esqueço o meu passo.
O tempo escasseia… Já não sei o que faço.
Os amigos também dormem, não há um abraço,
não existe pão, não encontro um pedaço.
Rendo-me a esta luta determinada pelo impasse,
aceito, sem regras, o seu desenlace.
Nazaré Cunha (2008-11-01)
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