sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Tétis, ninfa do Mar

"Tétis, de graça ornada e gravidade,
Pera que com mais alta glória dobre
As festas deste alegre e claro dia,
Pera o felice Gama assi dizia:

- «Faz-te mercê, barão, a Sapiência
Suprema de, cos olhos corporais,
Veres o que não pode a vã ciência
Dos errados e míseros mortais.
Sigue-me firme e forte, com prudência,
Por este monte espesso, tu cos mais.»"
Luiz de Camões, "Lusíadas", Canto X (75, 76)

4 comentários:

  1. Metade

    "Que a força do medo que tenho
    não me impeça de ver o que anseio
    que a morte de tudo em que acredito
    não me tape os ouvidos e a boca
    pois metade de mim é o que eu grito
    mas a outra metade é silêncio.
    Que a música que ouço ao longe
    seja linda ainda que tristeza
    que a mulher que eu amo seja p'ra sempre amada
    mesmo que distante
    porque metade de mim é partida
    mas a outra metade é saudade.
    Que as palavras que falo
    não sejam ouvidas como prece nem repetidas com fervor
    apenas respeitadas como a única coisa
    que resta a um homem inundado de sentimento
    porque metade de mim é o que ouço
    mas a outra metade é o que calo
    Que essa minha vontade de ir embora
    se transforme na calma e na paz que eu mereço
    que essa tensão que me corrói por dentro
    seja um dia recompensada
    porque metade de mim é o que penso
    e a outra metade um vulcão.
    Que o medo da solidão se afaste
    que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável
    que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
    que me lembro ter dado na infância
    porque metade de mim é a lembrança do que fui
    e a outra metade não sei.
    Que não seja preciso mais que uma simples alegria
    p'ra me fazer aquietar o espírito
    e que o teu silêncio me fale cada vez mais
    porque metade de mim é abrigo
    mas a outra metade é cansaço.
    Que a arte nos aponte uma resposta
    mesmo que ela não saiba
    e que ninguém a tente complicar
    porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
    porque metade de mim é platéia
    e a outra metade é a canção
    E que a minha loucura seja perdoada
    porque metade de mim é amor
    e a outra metade também."
    Oswaldo Montenegro

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  2. Os gays falam em sair do armário, tenho que encontrar a expressão para os nacionalistas mal assumidos.

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