sábado, 18 de outubro de 2008
Goa no espaço lusófono
É natural que os portugueses, particularmente as gerações que viveram os tempos conturbados de descolonização (que se iniciou com a perda de Goa), sintam muitas saudades do antigo Estado da Índia, mas convém agora que haja interesse correspondente em acompanhar a sério a evolução de eventos e o desenvolvimento político, económico e cultural de Goa. Para quem se interessa e luta hoje em Portugal pela Lusofonia e anseia por associar Goa (que foi e continuará a ser um ícone histórico da expansão portuguesa no Oriente e d’ Os Lusíadas que Camões cantou) com os actuais movimentos da Lusofonia, é essencial que procurem compreender e apreciar os desafios enfrentados por Goa desde 1961 como desafios democráticos do povo goês a quem o colonialismo português negou os direitos políticos que agora gozam e o reconhecimento da dignidade da sua língua materna. Enquanto se mantiver o desinteresse nesse sentido continuará também o isolamento de Goa no novo espaço lusófono em construção. Goa já tem a sua língua oficial e jamais poderá ser contada como PALOP (Países Asiáticos da Língua Oficial Portuguesa). Será necessário promover intercâmbio de figuras reconhecidas de literatura e artes e tradução de obras literárias da Índia (incluindo Goa) e de Portugal. O Brasil tem demonstrado essa capacidade ( que é mais mental / cultural do que financeira) e é uma das razões porque consegue estar presente com mais força ao nível global.
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