sexta-feira, 1 de agosto de 2008

A Praça do Desplante



A Praça do Desplante está vazia.
Apenas o cansaço do pregão
do velho cauteleiro, que porfia
na venda da miragem da evasão...

Quem passa, afasta a sorte com um gesto.
O gesto de quem diz não vale a pena !
E o velho aceita o não , sem um protesto
ou um esgar de continência obscena.

E vai, por entre as sombras, à deriva,
oferecendo a sorte, no vazio
sonâmbulo da Praça do Desplante...

Mas ninguém quer a grande, a grande esquiva!
E as sombras, num instante corrupio,
aguardam que outro Dante as saiba e cante...


José-Augusto de Carvalho
31 de Julho de 2008.
Viana do Alentejo * Évora * Portugal

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