quinta-feira, 28 de agosto de 2008

POEMA DO GURI VENDENDO LIMÕES



Lá vem o guri berebento
Vendedor de limões verdes
Com cracas, com amarelão
Ele é triste, humilde, desenxabido.
-Vai comprar limão, Dona Carlota Sinhá?
-Quer limão, Profetio? – pedimplora o piá.
O guri tem olhos lambidos de boi guzerá
Mais triste do que ele em Itararé não há.
Devem bater nele de relho, coitadinho
Deve passar uma fome caipora na sua vidinha
A acidez da fruta que vende baratinho
Nem lucro direito dá
Mas deve vir de sua alma de bala azedinha.
Não sabe o curumim, no seu triste enredo
Porque é apenas um moleque aprendiz
Que a maior vingança é ser feliz
Mas certamente ele descobrirá o segredo.
O olhar do menino pobrezinho é da cor
Dos limões azedos que vende
Mas as lágrimas, coitadas
Jamais darão limonadas.


Silas Correa Leite,
República Etílico-Rural de Itararé
E-mail:
poesilas@terra.com.br
Blogues:
www.portas-lapsos.zip.net
www.campodetrigocomcorvos.zip.net

2 comentários:

  1. Belo poema, Amigo, bem Tropicalista...

    Abraço.

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  2. Que beleza!
    E não é por ser gaúcho que digo isso, não. É pela plasticidade: gosto de cinema, já fiz cinema, desenho animado, histórias em quadrinhos, produção para TV e otras cositas. A cena (poesia) se desenrola sob nossos olhos, cenário, background, tudo. Dá pra ouvir o guri chupando o ranho.
    Maravilha! Tu tens livro publicado, che?

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