sexta-feira, 8 de agosto de 2008

GÁRGULAS

Entro no templo onde repousam os Homens da pena e do sextante. Imponente resultado de um sonho alquímico que transformou pimenta, cravo e canela em rendas de calcário lioz. Subo ligeira as escadas que me levam para perto das guardiãs. Em breve cairá a noite e acordarão do seu sono de pedra fria. Virão então pousar no meu ombro, e contar-me-ão histórias das negras sombras que povoam os céus da Pátria. Altivas no seu posto, por elas passam mais do que as águas da chuva. Deixá-las-ei enredar as garras nos meus cabelos e desvendar-me as histórias dos que já partiram mas nunca nos deixaram. O mais precioso dos legados: a memória.




Vive a tua memória e assombra-te.
Jack Kerouac






Música: Negra Sombra, poema de Rosalia de Castro, por Luz Casal e Carlos Nuñez
Fotos: Gárgulas do Mosteiro dos Jerónimos, Abril de 2008

4 comentários:

  1. Gosto muito das fotos,
    as gárgulas têm algo de misterioso...

    "Virão então pousar no meu ombro, e contar-me-ão histórias das negras sombras que povoam os céus da Pátria."


    belo ;)

    bjs.

    ResponderEliminar
  2. Ruela:
    desde criança que as gárgulas me fascinam. (E o "Corcunda de Notre Dame" da Disney, que as trouxe para a ribalta, veio só muito mais tarde...)

    Onde vou, procuro-as sempre.

    Obrigada :)

    beijo*

    ResponderEliminar
  3. Menina, o que eu adoro gárgulas!

    Está soberbo! Sorrio-te :)

    ResponderEliminar

Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.