terça-feira, 1 de julho de 2008

O MANSO

Carro de Boi , Magropr, 2008

Levanta-se antes do raiar do sol, o Chico Calela. Não há melhor galo que o colchão de palha, quando se lhe apertam os rins como um cão danado, já sabe, é hora. Na cozinha do forno, debaixo de um testo comido pelo uso, um prato com restos de feijão-frade e farripas de bacalhau da véspera, é o melhor sustento pela manhã, sorri, enquanto limpa com a manga as borras de café que se lhe colam à barba.
O gado não conhece os dias da semana, e o milho quer ser regado. Oh manso… chega-te p’ra lá, o cabanão inda vai alto… Enche o gamelo de palha seca e fica a ver o boi com orgulho de pai que soube criar um filho. Não há animal assim nos arredores, e cobridor… há-de render bom dinheiro!
Monta o carro de madeira, ajeita o chapéu na testa molhada pelo suor que já nem sente, ohoooo Manso, fiuuu, anda, omessa, mexe-te…

6 comentários:

  1. É a labuta da gente da terra..."O gado não conhece os dias da semana, e o milho quer ser regado"...sabes que consegui visualizar essa cena.
    Muito bom mesmo!
    Já estava com saudades de te ler,pois andavas sumida.
    Obrigada por ter aceito meu convite e pelo comentário. fiquei contente e honrada!
    Beijinho.

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  2. Os meus filhos têm um bisavô que é igualzinho ao Chico Calela. E aposto que, como ele, o Chico Calela guarda as (parcas) economias debaixo do seu colchão de palha.

    Gosto muito dos teus textos do Portugal rural (e real).
    :)
    beijo*

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  3. Beijinho Biazinha :)

    Mariazinha, ultimamente é sobre isto que me apetece escrever, cresci numa aldeia e nas aldeias Lisboa é sempre muito distante, e às vezes Lisboa gosta dessa distância.
    Um beijinho

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  4. Deliciosos estes frescos campestres.
    Gente boa e simples que não usa máscaras.

    Beijinhos

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