segunda-feira, 16 de junho de 2008

Terra Vermelha

Quem não ama
não ousa.

Quem não ousa
não ama.

Só o sol e o firmamento
me calam
e o mar será
minha cama.

O meu peito desfeito em retalhos
pelas lâminas que agregam as névoas do exílio
tem pedaços enterrados
em terra vermelha de ocasos,
e laços desatados
adejando ao vento em cidades brancas
suspensas sobre rios.

Teço em meus dedos o dia
em que o vermelho e o branco se fundam
nas espirais da Rosa
e o sol se erga de vez
das entranhas da terra.

Quem não ousa
não ama.

Quem não ama
não ousa.

Que a viagem seja mandato
gravado a ouro
Numa lousa.

Que a Voz cale todas as vozes
e o Verbo se liberte por fim da garganta.

E que o cio do Cosmos
se descubra em nossos olhos
quando ouvirmos
o encontro das cores
que Deus quis no Homem
ver nascer.

6 comentários:

  1. A ausência de comentários não corresponde absolutamente à indiferença. Falo por mim, já por 5 vezes li o poema e só agora deixo um testemunho - embora disso mesmo não passe... :)

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  2. Muito bonito este poema, Ana. Não te sabia poeta - uma boa surpresa.

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  3. Já tinha deixado alguns da minha autoria em cixas de comentários do "Crónicas da Peste". Pelos vistos não os lestes.

    Também já publiquei várious outros da minha utoria aqui neste blogue e na #Serpente Emplumada". Se fores aos arquivos encontrarás vários.

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  4. Quem não ousa
    não ama.


    gostei muito do poema, e este pedaço ficou a voar dentro da minha cabeça...
    :)

    beijo*

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  5. No Crónicas só me recordo de uma espécie de semi-prosa poética sobre a tua experiência no Brasil...

    Na Serpente não me recordo de ter lido algum.

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  6. Muito bonito mesmo! Parabéns...é uma
    bela poesia!

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