Jorra o tempo pelas paredes
no lento pedalar
da máquina de costura.
Mãe,
quanto tempo falta
para a vida começar?
É triste o dia
e o picolezeiro,
as pitangas e a flor do maracujá.
Mulheres que bordam e tecem
e pintam panos-de-pratos.
São morangos
e não há homens por perto
durante o horário comercial.
Brincamos à sombra do cinamômo
e corrigimos a fala dos mais velhos.
Mãe,
quando virão todos aqueles cheiros
que me prometeste?
Ignoramos o tempo,
que já escorre pelo assoalho
(estamos atrasados).
As paredes transpiram e não se sabe
se é chuva ou tédio.
Mãe,
Deixa o relógio a velar-nos o sono
e me conta de novo
todas aquelas histórias.
Mãe, mãe,
me aperta contra o teu peito
e gira em torno do meu umbigo.
Me entrega um dos teus olhos
e deixa uma coberta nos pés da cama.
Por favor, mãe, por favor,
me diz que estaremos longe
quando as coisas passarem a fazer sentido.
Fabrício Fortes (fabricio.fortes@hotmail.com)
Caríssimo poeta, bem vindo a esta Casa da Lusofonia, tenho agora o maior prazer em o receber como Confrade e Amigo.
ResponderEliminarMuito nos Honra a todos - e a quem, aqui, de Valor a Voz Alta, fala pelo teu e nosso Brasil.
Bem haja e obrigado.
Klatuu Niktos, Lord of Erewhon
P. S. Ainda hoje te enviarei mail a esclarecer melhor todo o nosso projecto. Espera uma hora - estou envolvido entre mil e-mails e com um poema na cabeça! ;)
P. P. S. A tua poesia é de uma qualidade tamanha e este poema grandioso. Só precisamos da palavra e do coração, ou, como Camões nos deixou de legado: a pena e a espada.
Lindíssimo poema!
ResponderEliminarSê bem-vindo!
Belissimo.
ResponderEliminarBeijo*
Fantástico..és um gênio!
ResponderEliminarBeijos.*