quinta-feira, 26 de junho de 2008

Desinstante


.
.
.
Tic.

Passaram-se vidas inteiras
dentro daquele segundo.
Negros ponteiros acima
da velocidade da luz.

Cresceram todos os pêlos
(findaram esbranquiçados).
Correram todos os líquidos
e evaporaram.

Velaram-se os mortos;
secaram as flores;
nasceram os filhos
e, de repente:

Tac
(havíamos perdido a hora).


Fabrício Fortes (
fabricio.fortes@hotmail.com)

5 comentários:

  1. Você é já um poeta perfeitamente maturo; atingiu um domínio técnico e de seu universo próprio invejável.

    Acho que não muito longe você será uma referência da tua geração na poesia brasileira.

    Abraço!
    P. S. Gostei do toque concretista - escola que muito admiro.

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  2. Gostei muito. Aprecio a tua escrita.
    Quando se vive a uma velocidade supersónica corre-se o risco de se perderem as horas...

    Um beijo.

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  3. Sem palavras...fiquei em extase!
    O tempo se arrasta para apenas um indivíduo, entretanto, acelera-se na velocidade da luz abrigando vida e morte. Pessoas nascem, pessoas envelhecem, e o tempo passa
    à revelia de tudo isto. O tempo é implacável!
    Beijos.

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  4. O tempo gasta-se...
    tic tac o barulho infernal do
    bater dos ponteiros do maldito
    relógio...tão antigo quanto as horas.

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