INTRODUÇÃO AO LATIM
1. História: Das Origens ao Latim na Modernidade; Alfabeto, Pronúncia e Acentuação.
2. Nomes: Tema e Declinação.
3. Adjectivos; Numerais; Pronomes.
4. Verbos I: modos e flexão verbal.
5. Verbos II: voz passiva e linguagem perifrástica.
6. Advérbios; Conjunções; Preposições; Complementos Circunstanciais.
7. Frase I: Tipos de Frase; Orações Subordinadas I.
8. Frase II: Orações Subordinadas II.
9. Leitura assistida de breves trechos de Cícero e de Virgílio.
10. Leitura assistida de breves trechos de Séneca e de Santo Agostinho.
Ricardo Ventura, 10 sessões, a partir de 21 de Abril, às segundas (18h00-19h30)
Associação Agostinho da Silva, Rua do Jasmim, 11, 2º andar
Ontem ouvi no telejornal que as missas em latim estão em voga no USA e as crianças aprendem as oraçoes católicas em latim. O importante é a fé e não a lingua em que se reza.
ResponderEliminarEntão não há línguas sagradas, que transformam vibratoriamente o ser e a consciência, independentemente das crenças que se tem !?...
ResponderEliminarnão sendo uma especialista digo que sim, há linguas sagradas q o fazem mas pq a fé está presente.Uma simples oração com fé em portugues pode conseguir o milagre q uma oração dita numa lingua sagrada mas sem fé não conseguirá.espero q outros opinem.
ResponderEliminarOra aqui está um bom tema de debate.
ResponderEliminarQuanto aos americanos acho que a questão é um pouco mais simples. Sendo os EUA aquilo que nós sabemos, o seu povo, com o passar das décadas, creio que se deve sentir crescentemente desenraizado. Os EUA, como povo, em si próprios não são nada, eram sim o que os emigrantes eram, e, como me parece, os seus descendentes aos poucos vão-se esquecendo. Assim sendo coisas como o uso de Latim (ou outra qualquer coisa que remeta a um passado distante) tem um enorme apelo pois dá um sentimento de antiguidade, autoridade e tradição, dá um sentimento de pertença a algo maior que os ultrapassa temporalmente. No entanto, por tão bonito que isto possa parecer é no fundo uma abominação, a grande maioria do povo Americano só sabe ser tendo, possuindo, ele é a sua posse, quer esta posse seja uma coisa material ou intelectual. Usado o Latim esse povo pode tomar posse da sua antiguidade e sentir-se antigo, enchendo o vazio histórico que sente dentro de si.
Esta questão, como é óbvio, não é exclusiva dos EUA, está-se a tornar global. A falta de conhecimento sobre a sua própria tradição e cultura está a fazer com que os jovens procurem tradições, verdadeiras ou falsas, em tudo quanto é sitio, criando abominações culturais por toda a parte. Não querendo entrar em detalhes creio que sobre este aspecto poderemos simplesmente reflectir porque é que as “Novas Religiões Antigas” (Wicca por exemplo) de carácter natural, anímico e telúrico têm a esmagadora maioria dos seus praticantes nas grandes cidades, precisamente os sítios mais afastados e desenraizados da mesma natureza que é cultuada por estes e da cultura tradicional dos seus próprios países.
Quanto a línguas sagradas deixem-me aqui também atirar algumas postas de pescada.
De facto existem línguas sagradas e existem coisas que se fazem com elas que não dão para fazer com uma língua qualquer. Creio que o exemplo paradigmático e de mais fácil acesso seja o Hebraico. Uma palavra em Hebraico tem o seu valor Gematrico e não poderá ser simplesmente traduzida para outra língua e continuar a ter o mesmo significado (mas no fundo o mesmo se pode dizer de qualquer outra língua). Quanto ao poder das línguas sagradas também não sou especialista, mas no entanto o seu uso, voltando um pouco atrás, invoca em quem a fala aquele mesmo sentimento de antiguidade, ajuda a obter o estado de espírito e de mente adequado para determinada coisa, (aqui entra sim a tal historia do som, vibração e métrica das palavras, que podem de facto ter efeitos concretos na mente de quem pronuncia), com a vantagem de, como o Hebraico, ter um poder oculto, um significado escondido que, no caso do seu uso em qualquer tipo de ritual religioso, é uma mais-valia. O praticante não está a fazer o ritual para si mesmo, estará a chamar, invocar ou recriar algo de superior, as palavras e a língua que fala não são só para si, é para quem ele chama, e mesmo que seja apenas para si “Em cima como em baixo” – diria Hermes Trimegistro – e o que a língua e a palavra invocam no seu interior invocaram no seu exterior.
No entanto isto não é “independente das crenças que se tem”. Em termos sonoros talvez o seja, da mesma maneira que bombardear o cérebro com ondas alfa (ondas electromagnéticas com 8–12 Hz) durante o sono provoca alguns efeitos reais, mas saber-se o que se está a fazer quando se diz alguma coisa é essencial. Digamos que para transformar vibratoriamente o ser e a consciência é preciso antes estar a vibrar no mesmo modo que a palavra.
A fé é claramente necessária, mas de facto poderá ser auxiliada pelas palavras certas, e quem diz palavras diz língua. A fé por si própria será força do ritual a palavra certa dar-lhe-á forma e direcção. Mas claro que dizer uma palavra só por si de nada serve (talvez para impressionar algumas meninas góticas), será forma sem conteúdo. Uma boa analogia será a do recipiente e do conteúdo, poderemos transportar água nas mãos, de facto podemos, mas se a levarmos num garrafão será muito melhor, também podemos levar pedras dentro do garrafão, mas talvez não seja no melhor recipiente para elas… até podemos levar o garrafão vazio, mas para que é que isso serve?
Mas voltando um pouco atrás, no exemplo de práticas de magia ritual não é qualquer palavra nem língua que poderá ser utilizada… ou aliás, qualquer língua pode, mas não qualquer palavra. Tomemos o exemplo do famoso “Do what thou wilt shall be the whole of the Law” dos Thelemitas. Esta frase tem o seu significado imediato (na verdade tem múltiplos mas isso não interessa aqui), mas na verdade transporta um poder sonoro e gematrico, poder esse que será completamente perdido se simplesmente se traduzir a frase para outra língua. Isso faz com que a maioria dos Thelemitas, independentemente das suas línguas de origem, a usem em Inglês. No entanto poderiam-na usar em qualquer língua desde que conseguissem que a frase mantivesse a mesma métrica, gematria e sonoridade, se não a mesma, alguma equivalente. Isto basicamente é um trabalho complicado mas é possível, e creio que é possível para qualquer palavra de qualquer língua sagrada.
Mas esta é apenas a minha (aparentemente longa) opinião…
devo agradecer ao jose leitão por nos ter esclarecido tão bem, sobre este assunto espinhoso.Ele perspectivou o assunto e acho que merecia ser um post. Concordo que em certas rituais o som é fundamental para que tenha efeito, é um pouco como os nosso nomes - eu respondo se oiço o meu nome e não um parecido....
ResponderEliminar