quinta-feira, 10 de abril de 2008

AINDA SOBRE O ACORDO ORTOGRÁFICO. Por Lauro Moreira, Embaixador

“CAMARA MUNICIPAL DA CIDADE DE GOYAZ

“Sessaõ Ordinaria de 20 de Abril de 1830

Prezidencia do Senhor Machado

Reunidos com o Senhor Prezidente quatro Senhores Vereadores as des horas da manhaã, abrio-se a Sessaõ. Foi apresentado e lido pelo Secretario hum Officio do Senhor Caldas, participando a Camara a continuaçaõ de sua moléstia, e ser esse o motivo de naõ comparecer; da mesma forma participou o Senhor Moraes de naõ comparecer por urgente precizaõ de hir ao Corrego de Jaraguà, e os Senhores Nunes, e Andrade faltaraõ sem participaçaõ ….”


“Revista Branca – Dedicada aos pequenos e aos novos – Caiel – Lisboa –Parceria Antonio Maria Pereira – Livraria editora.

Encerra este elegante volume de 382 paginas a collecção da revista quinzenal, que a illustre escriptora a srª D. Alice Pestana (Caiel) publicou durante um anno, revista consagrada aos pequenos leitores e organisada por forma a captar o interesse e o agrado, e também a promover a illustração d’este publico especial.

Alem d’uma secção anedotica e alegre, ella contêm interessantes chronicas, dando conta dos acontecimentos de cada quinzena mais próprios a dispertar o interesse da gente moça, ou a servir de thema a considerações de boa moral e proveitosos ensinamentos: uma primorosa secção de anthologia poética, em que figuram producções escolhidas dos mais apreciados auctores contemporâneos.


O primeiro texto acima é a reprodução de uma página do jornal “Matutina Meyapontense”, o primeiro periódico editado na região do Brasil Central, em número datado de 26 de Junho de 1830. O segundo reproduz página de um interessante Almanach de Lembranças Luso-Brazileiro, edição de 1900. Essa ortografia, que nos parece hoje tão estranha e arrevesada, era a que vigorava tanto no Brasil, quanto em Portugal e suas então colônias, na África e na Ásia, e que certamente continuaria em vigência até os dias de hoje, caso fosse sempre vencedora a eterna corrente do contra . Vigorou até os primeiros anos do século XX, quando Portugal, em 1911, decide unilateralmente proceder a uma reforma ortográfica, com vistas a uma desejável simplificação, sem consultar porém a outra parte, que era o Brasil. A partir de então, a ortografia oficial da Língua Portuguesa se bifurcou e passamos a ter que conviver com duas formas diferentes de escrever a nossa última flor do Lácio.

A despeito dos evidentes problemas causados pela existência dessas duas vertentes ortográficas – uma, lusitana, adotada por Portugal e demais países lusófonos, e a outra, pelo Brasil -, somente em 1990 nossos sete países (Timor Leste ainda não existia como país independente) decidiram adotar uma ortografia unificada e comum, com a assinatura de um Acordo, devidamente estudado, aprovado e assinado, cuja entrada em vigor estava estipulada para daí a quatro anos. Era o reconhecimento de que a dupla ortografia não fazia senão prejudicar a todos.

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