Ora até que enfim..., perfeitamente... Cá está ela! Tenho a loucura exatamente na cabeça. Meu coração estourou como uma bomba de pataco, E a minha cabeça teve o sobressalto pela espinha acima...
Graças a Deus que estou doido! Que tudo quanto dei me voltou em lixo, E, como cuspo atirado ao vento, Me dispersou pela cara livre! Que tudo quanto fui se me atou aos pés, Como a sarapilheira para embrulhar coisa nenhuma! Que tudo quanto pensei me faz cócegas na garganta E me quer fazer vomitar sem eu ter comido nada!
Graças a Deus, porque, como na bebedeira, Isto é uma solução. Arre, encontrei uma solução, e foi preciso o estômago! Encontrei uma verdade, senti-a com os intestinos!
Poesia transcendental, já a fiz também! Grandes raptos líricos, também já por cá passaram! A organização de poemas relativos à vastidão de cada assunto resolvido em vários — Também não é novidade. Tenho vontade de vomitar, e de me vomitar a mim... Tenho uma náusea que, se pudesse comer o universo para o despejar na pia, comia-o. Com esforço, mas era para bom fim. Ao menos era para um fim. E assim como sou não tenho nem fim nem vida...
Álvaro de Campos
O que muita gentinha esquece, ou nem sabe, é que se o homem medíocre sonha com grandezas, ser grande é uma cruz. Beijinhos.
“Não, não é cansaço… É uma quantidade de desilusão Que se me entranha na espécie de pensar, É um domingo às avessas Do sentimento, Um feriado passado no abismo…”
..."Ao menos era para um fim."
ResponderEliminarOra até que enfim..., perfeitamente...
ResponderEliminarCá está ela!
Tenho a loucura exatamente na cabeça.
Meu coração estourou como uma bomba de pataco,
E a minha cabeça teve o sobressalto pela espinha acima...
Graças a Deus que estou doido!
Que tudo quanto dei me voltou em lixo,
E, como cuspo atirado ao vento,
Me dispersou pela cara livre!
Que tudo quanto fui se me atou aos pés,
Como a sarapilheira para embrulhar coisa nenhuma!
Que tudo quanto pensei me faz cócegas na garganta
E me quer fazer vomitar sem eu ter comido nada!
Graças a Deus, porque, como na bebedeira,
Isto é uma solução.
Arre, encontrei uma solução, e foi preciso o estômago!
Encontrei uma verdade, senti-a com os intestinos!
Poesia transcendental, já a fiz também!
Grandes raptos líricos, também já por cá passaram!
A organização de poemas relativos à vastidão de cada assunto resolvido em vários —
Também não é novidade.
Tenho vontade de vomitar, e de me vomitar a mim...
Tenho uma náusea que, se pudesse comer o universo para o despejar na pia, comia-o.
Com esforço, mas era para bom fim.
Ao menos era para um fim.
E assim como sou não tenho nem fim nem vida...
Álvaro de Campos
O que muita gentinha esquece, ou nem sabe, é que se o homem medíocre sonha com grandezas, ser grande é uma cruz.
Beijinhos.
Génio.
ResponderEliminarOu como Ele dizia:
ResponderEliminar“Não, não é cansaço…
É uma quantidade de desilusão
Que se me entranha na espécie de pensar,
É um domingo às avessas
Do sentimento,
Um feriado passado no abismo…”
Acho que das coisas que mais me irritam são os debitadores de obra alheia, que usam a cultura como colares de pérolas, sem nada perceberem.
ResponderEliminarResta-nos a consolação de sabermos que Fernando Pessoa, se ainda vivesse, mudaria de passeio quando desse de caras com essa gente na rua.
ResponderEliminarA "convivência" no mesmo espaço seria insuportável...
ResponderEliminarFicou mais suportável ;)
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