sexta-feira, 5 de junho de 2009

SEM VERSO.


Escultura de Carlos Drummond de Andrade na praia de Copacabana, em frente à rua em que o poeta morou, criada por Leo Santana e instalada em 31 de Outubro de 2003, ano do centenário do poeta.

O silêncio é até eloquente, assim

nos livre do pranto, do ranho

exclamante do poeta de circo e

de suas musas, Deus meu, de sua baba:

tesão em verso por rameiras de colégio.

O silêncio é até semente, peido do ar

com sua cueca de virgem ao sol e

tremendas vestes de viúva.

O silêncio nem mais, supremo

à poesia empoleirada na merdamelodia

de alexandrinos monocórdicos

como a corda partida da sílaba

na rima emperrada do violino

que o doido enfia no cu do vento,

enquanto o poeta aguarda a tormenta

do gênio no lampadário, que a cigana

roubou e jogou na montureira

por não lhe encontrar utilidade.

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