quarta-feira, 22 de abril de 2009

A Música do Dia do Mar

Seguindo a onda da nova música d'Os Golpes que canta a morte morre inteira pela força das nossas mãos...

Eis o Regresso ao Passado, nunca igual: mas para sempre igual ao diferente.


3 comentários:

  1. «a saudade amada»

    «V
    Mas a Ideia quem é? quem foi que a viu,
    Jamais, a essa encoberta peregrina?
    Quem lhe beijou a sua mão divina?»
    Com seu olhar de amor quem se vestiu?

    Pálida imagem, que a água de algum rio,
    Reflectindo, levou... incerta e fina
    Luz, que mal bruxuleia pequenina...
    Nuvem que trouxe o ar e o ar sumiu.

    Estendi, estendei-lhe os vossos braços,
    Magros da febre dum sonhar profundo,
    Vós todos que a seguis nesses espaços!

    E entanto, ó alma triste, alma chorosa!
    Tu não tens outra amante em todo o mundo
    Mais que essa fria virgem desdenhosa!

    VI
    Outra amante não há! não há na vida
    Sombra a cobrir melhor nossa cabeça,
    Nem bálsamo mais doce, que adormeça
    Em nós a cantiga, a secular ferida!

    Quer fuja esquiva, ou se ofereça erguida,
    Como quem sabe amar e amar confessa,
    Quer nas nuvens se esconda ou apareça,
    Será sempre ela a esposa prometida!

    Nossos desejos para ti, ó fria,
    Se erguem, bem como os braços do proscrito
    Para as bandas da pátria, noite e dia.

    Podes fugir... nossa alma, delirante,
    Seguir-te-á através do infinito,
    Até voltar contigo, triunfante!

    VII
    Oh! o noivado bárbaro! o noivado
    Sublime! aonde os céus, os céus ingentes,
    Serão leito de amor, tendo pendentes
    Os astros por dossel e cortinado!

    As bodas do Desejo, embriagado
    De ventura, afinal! visões ferventes
    De quem nos braços vai de ideais ardentes
    Por espaços sem termo arrebatado!

    Lá, por onde se perde a fantasia
    No sonho da beleza; lá, aonde
    A noite tem mais luz que o nosso dia;

    Lá, no seio da eterna claridade,
    Aonde Deus à humana voz responde;
    É que te havemos de abraçar, Verdade!

    VIII
    Lá! Mas aonde é lá! aonde? - Espera,
    Coração indomado! o céu, que anseia
    A alma fiel, o céu, o céu da Ideia,
    Em vão o buscas nessa imensa esfera!

    O espaço é mudo: a imensidade austera
    Debalde noite e dia se incendeia...
    Em nenhum astro, em nenhum sol se alteia
    A rosa ideal da eterna primavera!

    O Paraíso e o templo da Verdade,
    Ó mundos, astros, sóis, constelações!
    Nenhum de vós o tem na imensidade...

    A Ideia, o sumo Bem, o Verbo, a Essência
    Só se revela aos homens e às nações
    No céu incorruptível da Consciência!»
    Antero de Quental

    A Saudade, tal como a Ideia do Homem é a Esposa/o. O Dois do Um de Si. O Outro que o faz Ser Hum-ano.

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  2. Por isso Bandarra o vaticinou, a par do simbolismo da 'Ilha dos Amores' de Camões:

    «Todos terão um amor,
    Gentios como pagãos,
    Os Judeus serão cristãos,
    Sem jamais haver error.»

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