domingo, 11 de janeiro de 2009

De certa forma?!...

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“De certa forma, o confronto [entre o Hamas e Israel] foi desejado por ambas as partes”
Jorge Almeida Fernandes, Público, 11.01.09

1. A solidariedade islâmica é um bluff. E nem vale a pena referir, a esse respeito, a rivalidade fratricida entre xiitas e sunitas. Basta ver como se comporta o mundo islâmico relativamente à Palestina – apesar de todas as encenações em contrário, a Palestina, para o mundo islâmico, é, sobretudo, um instrumento retórico. Para o atestar, basta verificar como são efectivamente tratados os refugiados palestinianos no Líbano, na Síria, na Jordânia, etc.

2. O Hamas não foi, obviamente, uma “criação” de Israel (apesar de haver quem o sustente; tal como há quem sustente que a União Soviética foi uma “criação” do Estados Unidos…), mas foi, decerto, promovido pelo Estado Israelita – “inimigo do meu inimigo, meu amigo é”; para enfraquecer a Fatah e dividir o povo palestiniano…

3. Passe a heresia, o Hamas é um movimento “trotskista” – defende a “revolução permanente”, ou, no caso, a guerrilha permanente. Findas as "tréguas regulamentares", em que aproveitou sobretudo para se rearmar, o Hamas começou de imediato a lançar rockets sobre Israel, antecipando a sua resposta. É na guerra contra Israel que o Hamas legitima a sua razão de existência. Daí o seu comportamento, mais do que previsível…

4. Israel também (re)agiu como se previa. Para mais, sabe que tens as “costas quentes”. Também apesar de todas as encenações em contrário, sabe que continuará a gozar da complacência da Europa (dados os seus complexos de culpa relativamente ao Holocausto…) e do apoio seguro do EUA - Obama nada de substantivo mudará a esse respeito, como já se percebeu; apenas será, quanto muito, mais hipócrita…

5. De facto, este foi um confronto realmente “desejado por ambas as partes”. E não de "certa forma".

3 comentários:

  1. Diria "faz parte da agenda de ambos", era politicamente previsível mas

    a) sem guerra continua a haver Israel,
    b) sem guerra o Hamas desaparece.

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  2. Nas sua fronteiras actuais, Israel estará sempre em estado de guerra...

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  3. É o que tem acontecido. Mas uma intervenção internacional, diplomática e militar, pode resolver a situação.

    O que pretendi dizer é que Israel é um Estado, o Hamas uma quadrilha.

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