1. A Pátria é decerto uma distância. Entre o que há e o a haver...
2. Mas é também, desde logo, um enfoque. Por isso o seu olhar é, desde logo, uma perspectiva, uma visão. Enquanto tal, nunca inteiramente neutra...
3. Equivale isto a dizer que, por exemplo, uma perspectiva lusófona sobre o mundo, sendo lusofonamente internacional, nunca poderá ser simplesmente internacionalista...
Bem (re)vindo, Casimiro! Um Bom Ano também para ti...
Dito assim, Paulo, concordo pois. Sobretudo Portugal - nascido do amor que há entre a terra e o mar como o cantor negro do Régio do amor que há entre Deus e o Diabo.
Mas há um amor em que a distância se anula e consome.
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Ana Margarida, tudo na terra é uma obscenidade em relação ao que poderia ser.
Dito à maneira do Séc. XIX: eu posso escolher entre ver a Vitória de Samotrácia, com as suas asas magníficas, em cada mulher que por mim passa; ou ver a mulher do lado com o seu rosto bexigoso em cada Vitória alada.
E daí, desse meu olhar - nasce a vida e a alma inteira.
Caro Renato, respondi antes de ler o teu comentário - mas no que disse à Ana Margarida está um pouco do que escreveste já.
Sim, não há distância que não seja um olhar, e o olhar situa - enfoque.
Por isso a bruma que tanto exalta alguns de nós, por isso a cautela com a bruma, que é herança e aviso de todos os marinheiros que fomos: a bruma não deixa olhar senão para si.
A meu ver a perspectiva lusófona sobre o mundo só pode ser trans-nacional, na mesma medida em que toda a perspectiva aspira a ser visão para além de toda a perspectiva... Não há que fazer nossa a Distância, como disse Pessoa, mas antes deixar que ela nos aproprie à Alteridade que nela nos convoca.
"Toda a Pátria é uma distância": magnífico! Sobretudo Portugal. Sobretudo de si a si mesma.
ResponderEliminarNão sei se concorda.
O Portugal que existe, aquilo que cada um de nos e enquanto seres humanos, e uma obscenidade em relacao ao que poderia ser.
ResponderEliminar1. A Pátria é decerto uma distância. Entre o que há e o a haver...
ResponderEliminar2. Mas é também, desde logo, um enfoque. Por isso o seu olhar é, desde logo, uma perspectiva, uma visão. Enquanto tal, nunca inteiramente neutra...
3. Equivale isto a dizer que, por exemplo, uma perspectiva lusófona sobre o mundo, sendo lusofonamente internacional, nunca poderá ser simplesmente internacionalista...
Bem (re)vindo, Casimiro! Um Bom Ano também para ti...
Dito assim, Paulo, concordo pois. Sobretudo Portugal - nascido do amor que há entre a terra e o mar como o cantor negro do Régio do amor que há entre Deus e o Diabo.
ResponderEliminarMas há um amor em que a distância se anula e consome.
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Ana Margarida, tudo na terra é uma obscenidade em relação ao que poderia ser.
Dito à maneira do Séc. XIX: eu posso escolher entre ver a Vitória de Samotrácia, com as suas asas magníficas, em cada mulher que por mim passa; ou ver a mulher do lado com o seu rosto bexigoso em cada Vitória alada.
E daí, desse meu olhar - nasce a vida e a alma inteira.
Ou não.
Caro Renato, respondi antes de ler o teu comentário - mas no que disse à Ana Margarida está um pouco do que escreveste já.
ResponderEliminarSim, não há distância que não seja um olhar, e o olhar situa - enfoque.
Por isso a bruma que tanto exalta alguns de nós, por isso a cautela com a bruma, que é herança e aviso de todos os marinheiros que fomos: a bruma não deixa olhar senão para si.
"Cuidado", como cantava a Teresa Salgueiro.
Abraço
Essa vale bem um poema...
ResponderEliminarAbraço MIL
A meu ver a perspectiva lusófona sobre o mundo só pode ser trans-nacional, na mesma medida em que toda a perspectiva aspira a ser visão para além de toda a perspectiva... Não há que fazer nossa a Distância, como disse Pessoa, mas antes deixar que ela nos aproprie à Alteridade que nela nos convoca.
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