terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Bom ano

A História ensina-nos a temer os patriotas caseiros e os emigrados sem memória.

Toda a Pátria é uma distância.

7 comentários:

  1. "Toda a Pátria é uma distância": magnífico! Sobretudo Portugal. Sobretudo de si a si mesma.

    Não sei se concorda.

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  2. O Portugal que existe, aquilo que cada um de nos e enquanto seres humanos, e uma obscenidade em relacao ao que poderia ser.

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  3. 1. A Pátria é decerto uma distância. Entre o que há e o a haver...

    2. Mas é também, desde logo, um enfoque. Por isso o seu olhar é, desde logo, uma perspectiva, uma visão. Enquanto tal, nunca inteiramente neutra...

    3. Equivale isto a dizer que, por exemplo, uma perspectiva lusófona sobre o mundo, sendo lusofonamente internacional, nunca poderá ser simplesmente internacionalista...

    Bem (re)vindo, Casimiro! Um Bom Ano também para ti...

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  4. Dito assim, Paulo, concordo pois. Sobretudo Portugal - nascido do amor que há entre a terra e o mar como o cantor negro do Régio do amor que há entre Deus e o Diabo.

    Mas há um amor em que a distância se anula e consome.

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    Ana Margarida, tudo na terra é uma obscenidade em relação ao que poderia ser.

    Dito à maneira do Séc. XIX: eu posso escolher entre ver a Vitória de Samotrácia, com as suas asas magníficas, em cada mulher que por mim passa; ou ver a mulher do lado com o seu rosto bexigoso em cada Vitória alada.

    E daí, desse meu olhar - nasce a vida e a alma inteira.

    Ou não.

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  5. Caro Renato, respondi antes de ler o teu comentário - mas no que disse à Ana Margarida está um pouco do que escreveste já.

    Sim, não há distância que não seja um olhar, e o olhar situa - enfoque.

    Por isso a bruma que tanto exalta alguns de nós, por isso a cautela com a bruma, que é herança e aviso de todos os marinheiros que fomos: a bruma não deixa olhar senão para si.

    "Cuidado", como cantava a Teresa Salgueiro.

    Abraço

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  6. A meu ver a perspectiva lusófona sobre o mundo só pode ser trans-nacional, na mesma medida em que toda a perspectiva aspira a ser visão para além de toda a perspectiva... Não há que fazer nossa a Distância, como disse Pessoa, mas antes deixar que ela nos aproprie à Alteridade que nela nos convoca.

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