sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Trans-Pátria - Por uma educação lusófona e universalista ao serviço de uma formação integral

Recordo um dos pontos das propostas para Portugal da secção portuguesa do MIL, na nossa Declaração de Princípios e Objectivos:

"XI – Redignificar, com exigência, os professores e todos os profissionais ligados à
educação, tornando esta e a cultura – não só tecnológica, mas filosófica, literária,
artística e científica - o investimento estratégico do Orçamento de Estado e da
governação. Os vários níveis de ensino visarão a formação integral da pessoa, não
a sacrificando a uma mera especialização profissional. Neles haverá uma forte
presença da cultura portuguesa e lusófona, bem como das várias culturas
planetárias. Um português culto e bem formado deve ter uma consciência lusófona
e universal, não apenas europeia-ocidental"

Este é um dos pontos que mais acarinho e que vejo mais conformes à nossa tradição histórico-cultural de povo em diáspora planetária. Resume algumas das motivações fundamentais do Professor Agostinho da Silva e deveria ser ponto de honra de todos os portugueses e lusófonos, em especial dos aderentes a este movimento. Exorto todos ao esforço por conhecermos melhor a cultura lusófona e aliarmos isso à abertura da mente e do coração às culturas planetárias, como forma de colhermos daí perspectivas renovadas sobre a formação integral do homem e a realização das suas superiores possibilidades. Sem isso não é possível cumprir o grandioso projecto de converter Portugal e a Lusofonia em mediadores do diálogo e harmonia entre todos os povos, culturas, civilizações e religiões do mundo. Sem isso não é possível criar um movimento de opinião e de pressão que leve os nossos responsáveis políticos e culturais a incluir estes imperativos nos currículos de todos os níveis de ensino, desde o primário ao superior. Sem isso não podemos fazer do MIL uma efectiva transformação das mentes e das vidas.
Para tal, proponho que os professores aderentes a este movimento criem um grupo de trabalho que elabore um projecto para a implementação deste objectivo no ensino público. A partir daí podemos inscrevê-lo na bandeira de uma reivindicação concreta e procurar apoio social para ela. Esta reivindicação deve surgir associada à da redignificação social, profissional e humana dos professores e de todos os profissionais da educação. Temos de inverter o processo bárbaro em curso que visa destruir a Cultura hostilizando os agentes da sua transmissão e fazendo da carreira docente, sobretudo no secundário, um tormento e uma sujeição a todas as tarefas menos a de aprender e ensinar. Alguém toma a iniciativa de se oferecer para a comissão coordenadora deste grupo de trabalho?

5 comentários:

  1. O jornal "Público" lançou ontem a colecção "A arte de Portugal no mundo". Muitas vezes se fala da influência grega e romana na cultura europeia e esquecemos da influência cultural que Portugal teve no mundo...

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  2. Por falar em colecções do jornal Público, saiu recentemente um volume dedicado à História da Filosofia. Quem aparece na capa? O nosso amigo Agostinho! Não o de Hipona...

    Quanto ao texto, propriamente dito, era, de facto, bom encontrar alguém que se oferecesse para coordenar uma equipa que pudesse apresentar propostas concretas e viáveis...

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  3. Sim, há que tomar consciência da influência de Portugal no mundo e do mundo (não só da Europa ou deste ou daquele país) em Portugal. E há que converter em propostas concretas e viáveis o nosso programa, para que ele possa passar do ideal ao real.

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  4. Paulo;
    Coincidentemente publiquei nesta semana um artigo que vai no mesmo sentido que o seu (sem o mesmo brilhantismo, por certo) em um blogue que mantenho e que não cabe aqui citar pois não é a auto-promoção meu objetivo.
    O artigo trata do esforço quase solitário de uma professora do sul de Minas Gerais. Ela desenvolve um projeto a que chamou de "Estímulo à Leitura" e que evoluiu, em um de seus desdobramentos, para uma "Ofinina de Leitura".
    Recebi manifestações de outros professores que se identificam com o trabalho dela e que desenvolvem projetos similares, embora dispersos na vastidão que é o Brasil.
    Tua proposta, caro Paulo, se concretizada poderá ser um centro aglutinador e convergente desses esforços, hoje individuais e descoordenados, mas que existem.

    Muito lúcidas as suas manifestações.

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  5. Perdoe-me... Era para ser "Oficina de Leitura"...

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