Sem grande pesquisa, creio que vem do latino "assumere", que significa tomar, agarrar, escolher, receber, etc., para si. Diria que o que se assume é o que se elege, que creio remeter etimologicamente para o verbo latino "eligere", que significa arrancar colhendo, tirar ou escolher, separar, eleger. Em qualquer dos casos implica a ideia de separar e possuir algo em particular. Daqui as minhas dificuldades com um patriotismo que não seja trans-patriótico e universalista, que não vise o todo, ainda que por mediação da parte.
Sem querer refutar ninguém, porque as filosofias não se refutam, compreendem-se...
1. O "desde que se assumam", no caso, é substituível por "desde que se afirmem... 2. Para mim, a afirmação do múltiplo não implica a negação do Uno. Pelo contrário. 3. Nessa medida, a afirmação da(s) Pátria(s) não implica a negação do Universal. Pelo contrário - como escreveu o Marinho, "foi para realizar o Universal que surgiram as Pátrias".
Aí o Marinho é demasiado hegeliano e não o acompanho. Vou mais pelo Schelling, que se bem recordo vê nas pátrias e nas línguas a expressão da cisão mitológica da consciência...
Bem, se o todo é constituído pelas partes, e se as partes lhe dão totalidade, o "trans" enunciado sigifica que, paradoxalmente, o melhor é juntar o uno ao múltiplo e considerá-los conjuntamente?
Mas a possibilidade de considerar isoladamente cada uma das partes, ainda que não se perca a ideia do todo, ainda que a sua razão de existência seja o cumprimento todo, não acaba por se equivaler a essa realidade paradoxal?
Temo os filósofos, mesmo quando não estão presentes...
Mas - é assim tão estranho que o Ser se desdobre, ou se cinda, ou floresça, ou decaia na multiplicidade?
É assim tão inimaginável que cabe ao Ser - e não a nós - recolher as pétalas dessa floração quando o dia terminar? E que o resto seja aquilo que o famigerado Ocidente (e não a Índia pelo menos?!) sempre descreveu como "querer tomar o céu de assalto", titanismo, revolta, transgressão - porque no fundo e no fim apenas produz a quebra definitiva, e não a Unidade do Único?
Dito de outra forma: se for verdade que o mito Atlante vem dos egipcios, como afirmou Platão, seré ele Ocidental e, por conseguinte - errado?
Caros amigos, no fundo pouco me interessa o Ser e os seres, o Todo e as partes, o Único, o Uno, o Múltiplo ou outro conceito qualquer, forjado pela mente. Interessam-me sim, em termos muito práticos e com intenções terapêuticas, os efeitos desses conceitos sobre as mentes que os concebem e lhes atribuem realidade intrínseca, esquecendo que são meros esquemas convencionais que nada têm a ver com a realidade e tudo com o regime da consciência dualista. Esses efeitos chamam-se apego e aversão, conhecidos por quase todas as escolas de sabedoria oriental e ocidental e responsáveis pela maior parte do obscurecimento mental e do sofrimento humano. O patriotismo, o clubismo, o partidarismo, o sectarismo e todos os demais ismos, por mais subtis que se tornem, resultam desses efeitos e são pois factores de reprodução da estreiteza e do tormento em que a humanidade tem vivido. O que é interessante em Portugal, sobretudo com Pessoa e Agostinho da Silva, é ter surgido um patriotismo trans-patriótico, produto híbrido que todavia parece acabar por alimentar sobretudo o patriotismo comum, em quem não vive a re-volta interior. Há que lidar com ele com muita cautela e também que o superar, porventura.
Quanto ao resto, não ensinou Cristo que "Desde os dias de João Baptista até agora, o Reino dos Céus sofre violência, e violentos se apoderam dele" (Mateus, 11, 12)? Haja mais ousadia espiritual, pois decerto não é da "violência" comum que aqui se fala.
Qual a etimologia de assumir?
ResponderEliminarSem grande pesquisa, creio que vem do latino "assumere", que significa tomar, agarrar, escolher, receber, etc., para si. Diria que o que se assume é o que se elege, que creio remeter etimologicamente para o verbo latino "eligere", que significa arrancar colhendo, tirar ou escolher, separar, eleger. Em qualquer dos casos implica a ideia de separar e possuir algo em particular.
ResponderEliminarDaqui as minhas dificuldades com um patriotismo que não seja trans-patriótico e universalista, que não vise o todo, ainda que por mediação da parte.
Sem querer refutar ninguém, porque as filosofias não se refutam, compreendem-se...
ResponderEliminar1. O "desde que se assumam", no caso, é substituível por "desde que se afirmem...
2. Para mim, a afirmação do múltiplo não implica a negação do Uno. Pelo contrário.
3. Nessa medida, a afirmação da(s) Pátria(s) não implica a negação do Universal. Pelo contrário - como escreveu o Marinho, "foi para realizar o Universal que surgiram as Pátrias".
Abraço MIL
Aí o Marinho é demasiado hegeliano e não o acompanho. Vou mais pelo Schelling, que se bem recordo vê nas pátrias e nas línguas a expressão da cisão mitológica da consciência...
ResponderEliminarBem, se o todo é constituído pelas partes, e se as partes lhe dão totalidade, o "trans" enunciado sigifica que, paradoxalmente, o melhor é juntar o uno ao múltiplo e considerá-los conjuntamente?
ResponderEliminarMas a possibilidade de considerar isoladamente cada uma das partes, ainda que não se perca a ideia do todo, ainda que a sua razão de existência seja o cumprimento todo, não acaba por se equivaler a essa realidade paradoxal?
Luis Santos
Temo os filósofos, mesmo quando não estão presentes...
ResponderEliminarMas - é assim tão estranho que o Ser se desdobre, ou se cinda, ou floresça, ou decaia na multiplicidade?
É assim tão inimaginável que cabe ao Ser - e não a nós - recolher as pétalas dessa floração quando o dia terminar? E que o resto seja aquilo que o famigerado Ocidente (e não a Índia pelo menos?!) sempre descreveu como "querer tomar o céu de assalto", titanismo, revolta, transgressão - porque no fundo e no fim apenas produz a quebra definitiva, e não a Unidade do Único?
Dito de outra forma: se for verdade que o mito Atlante vem dos egipcios, como afirmou Platão, seré ele Ocidental e, por conseguinte - errado?
Estranho. Fico mesmo perplexo.
Cumprimentos cordiais a todos
Caros amigos, no fundo pouco me interessa o Ser e os seres, o Todo e as partes, o Único, o Uno, o Múltiplo ou outro conceito qualquer, forjado pela mente. Interessam-me sim, em termos muito práticos e com intenções terapêuticas, os efeitos desses conceitos sobre as mentes que os concebem e lhes atribuem realidade intrínseca, esquecendo que são meros esquemas convencionais que nada têm a ver com a realidade e tudo com o regime da consciência dualista. Esses efeitos chamam-se apego e aversão, conhecidos por quase todas as escolas de sabedoria oriental e ocidental e responsáveis pela maior parte do obscurecimento mental e do sofrimento humano. O patriotismo, o clubismo, o partidarismo, o sectarismo e todos os demais ismos, por mais subtis que se tornem, resultam desses efeitos e são pois factores de reprodução da estreiteza e do tormento em que a humanidade tem vivido. O que é interessante em Portugal, sobretudo com Pessoa e Agostinho da Silva, é ter surgido um patriotismo trans-patriótico, produto híbrido que todavia parece acabar por alimentar sobretudo o patriotismo comum, em quem não vive a re-volta interior. Há que lidar com ele com muita cautela e também que o superar, porventura.
ResponderEliminarQuanto ao resto, não ensinou Cristo que "Desde os dias de João Baptista até agora, o Reino dos Céus sofre violência, e violentos se apoderam dele" (Mateus, 11, 12)? Haja mais ousadia espiritual, pois decerto não é da "violência" comum que aqui se fala.
Paulo, mesmo sem vénia, eu gostei muito da tua resposta. Obrigado e mil abraços para todos.
ResponderEliminarSono.
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