sábado, 13 de setembro de 2008

O Fado Tropical da Terra, a União de Portugal: de África ao Brasil, da Mãe ao Filho

Portugal é o que o Novo Mundo está... sendo.
O sentimento português é o da união de tudo, é o de fusão com o todo: a origem Lusa é o infinito, o seu futuro o eterno.
O português só se sente através do intenso, do total, do extremo, tem sede do ilimitado, da liberdade plena! Não se contenta em estar contente, precisa de ser o que o contenta. Não deseja o que é possível, deseja ser o impossível. Não quer ver o que é o mundo, quer-se ver mundo. Não pretende amar o mundo, pretende ser o amor do mundo. Não nasce para viver no mundo, nasce para vivê-lo. O sentimento português é o de ser a Eterna Criança do mundo, que não julga o mundo nem lhe exige nada, de ser tudo e nada, de ser o que é: Deus, o Se-r-Bastião do mundo.
Portugal é o símbolo do regresso da Paz à Terra, a redenção total da humanidade pela sua maternidade, o nascimento do Novo Homem, a criança portuguesa à solta, transparente, legítima, verdadeira por estar em todo o lado e não ser de nenhum.
A essência do Novo Mundo é este vazio imenso, que nos-me enfada, me contraria e contradiz, que me complementa e completa no que sou. A partir do qual canto a agonia deste Amor que me mata e faz viver, que me envelhece e renova, que me entristece e alegra... ao estar o Filho Luso no Novo Mundo e sendo a Mãe portuguesa ainda do Velho, estando a viver o Filho o que a Mãe é, estando a Mãe sentindo o Filho dentro dEla e estando Ele fora. Portugal só será quando não for, porque quando não for Mãe será o próprio Filho, estará novamente dentro de si, voltará a unir o ser com o estar, regressando ao nada que é tudo, em que lugar e tempo não existem, em que o Amor é Rei, em que homem e mulher estão juntos, em que os opostos voltam ao que são, em que o instante da Aurora não tem princípio nem fim, em que tudo É Um: a Ilha dos Amores.

Nota: A Criança não precisa de fingir humildade, sabe que a humildade está em querer aprender com tudo o que vive realmente, em se fundir com o mundo. Não precisa de fugir às palavras, sabe que as coisas são simplesmente, não liga ao desprezo ou a acusações, não por indiferença voluntária, apenas por não lhes sentir a existência.

14 comentários:

  1. Um dia ainda passarás pelo teste de ter que demonstrar que a tua teologia (?) não é apenas uma colagem de devaneios.

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  2. A paixão, a paixão sempre, também queremo dentro de nós, bem fundo, a criança! A criança eterna! Toda! Toda! A rir dentro de nós! Bem fundo dentro de nós! Toda! Sempre! De cá para lá! De fora para dentro! Pela pátria, pela pátria, toda! Toda! Somos felizes!

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  3. É um coro de almas! É um hino! O MIL em canto! Encanto!

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  4. De facto há que pensar porque ressurge continuamente esta visão de Portugal... Seremos a pátria mais trans-patriótica do mundo!? No fundo uma pátria messiânica, como Israel, um novo povo eleito, como pretendeu o Vieira, um povo-universo, como em Pessoa, ou um povo auto-eleito, como pretendia ou exortava o Agostinho da Silva.
    Mas não será uma mera projecção de alguns indivíduos, que hipostasiam o melhor de si como as qualidades de um povo? Na verdade, se formos a ver bem, será que esta experiência, esta visão, esta pulsão, se aplicam a todo o "português" ou só a uma ínfima minoria!?... Se eu for falar disto aos meus vizinhos, alguém me entende?... Não, chamam-me doido!
    E o mesmo não se passará em muitos outros povos, nações e culturas, sempre que alguém projecta a sua ânsia de totalidade e infinito como a característica fundamental do seu povo, nação e cultura?
    De facto, pode haver em Vieira, Pessoa e Agostinho da Silva - e na nossa cara Anita - um profundo misto de vislumbre e ilusão...
    Enfim, já andei pelas mesmas águas, mas hoje já não posso subscrever isto. Mas é extremamente interessante para estudar as tensões da nossa auto-representação: ora somos os piores, ora os melhores... No manifesto da "Nova Águia" fala-se da necessidade de superar estes complexos. Há que ser, também, realistas. A que leva este discurso? Se os portugueses e os brasileiros fossem realmente isto, já o eram: para quê falar então tanto disso?

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  5. Caro Lord,

    Como eu o desejo, a esse Dia... Mas a questão é que nada do que somos acontece de modo consciente isolado, mesmo o que escrevo, acho-o impossível se o analiso racionalmente, ou não totalmente. Quanto, por exemplo, à inevitabilidade de os opostos neste mundo ainda não estarem devidamente unidos: como a eternidade e o tempo.
    Reconheço que a minha vontade me toma no que digo, mas a minha razão não consegue refutá-la à altura. Ficando-me com o que sinto.

    Caro Paulo,
    Se todos já fôssemos tudo o que somos para que andariam os relógios? Para ser tudo per-feito? Ser implica o infinito de tudo.

    Abraços

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  6. Paulo,

    Muita polémica e muito desprezo passará quem disto fale, como sempre aconteceu, dos que não tentam ao menos ver se alguma coisa ali lhes pode valer. Ou, ao menos, se não o vêem, não partem para outra e não perdem o seu tempo com coisa perdida, a seu ver, à partida.

    Sim, sou louca. Mas sei tenho um porquê. Como já escrevi, não pretendo convencer ninguém, cada um que leia, se tiver paciência e se rever, caso contrário, não se canse comigo, o que persiste é sempre o que importa.

    Graças pela atenção

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Anita, o que diz não é desprezível, de modo algum. O que acho é que fala de Portugal-Brasil quando deveria falar da aspiração fundamental ou do ideal de perfeição do ser humano, que é transversal e transcendente a todos os indivíduos e povos.
    O que não quer dizer que não possa e deva ser assumido como a finalidade última de cada povo e de cada pátria. Mas isso não acontece ainda, não é real no plano espácio-temporal e humano. É um projecto, que vejo fundamentalmente, por ordem de precedência, espiritual, ético, cultural, político e económico. Implica o tal patriotismo trans-patriótico que tenho defendido. Mas não tenhamos ilusões: os indivíduos são as únicas mediações reais para esse fim supremo; a aproximação das pátrias a esse fim supremo será sempre fruto, menor, dos progressos individuais e comunitários dos seus cidadãos. Tudo reside em que a mente individual é o único centro de consciência que se pode aperfeiçoar, trans-individualizando-se. Uma pátria não é uma entidade viva, separada dos indivíduos que a compõem. Aqui sou bastante aristotélico.

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  9. Paulo,

    Vejo-o demasiado crente no filho-Homem e pouco no que o sustenta, a Mãe-Terra... o desenvolvimento humano irá dar-se, mas o renascimento, tal como o nascimento, suspeito que envolverá algo Maior... mas claro que quem não vê mistério na vida... deita fora esta hipótese. E cada um vê o que quer.
    Quanto a Portugal-Brasil-África, mais uma vez, vejo-os como síntese, talvez como o tronco da árvore-Terra. Se é só a meus olhos? Seja, com que outros mais poderei ver o mundo senão com os próprios? Até que não encontre outra visão melhor, será esta. A minha.

    Com todo o respeito.

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  10. Estamos no Mundo e este não gira sem estímulos diversos. O Homem traz pátios, labirintos incómodos e difíceis à moral, que se escondem nas entrelinhas da acção. Só podemos sonhar com a Liberdade quando reconhecermos a sua existência primordial e inevitável, quando reconhecermos que somos essencialmente feitos de musgo e lama e quando do Nada conseguirmos construir algo mais palpável que o Tudo.

    Um beijo e uma vénia*

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  11. É... a recorrente integração de ambos até que cheguemos ao centro da casa do caracol. :)

    Beijo, Antígona!

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  12. Paulo,
    Só para concretizar.
    O Homem nasce e vive com base no inconsciente, por isso, o que se sucederá conscientemente será um acompanhamento - como tem sido, e será da perfeita união de ambos que o Novo Tempo se fundará.

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  13. ( se é que ainda não desistiu de me ler... :P )

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  14. Ah Antígona,

    A vénia é que não, se não também teria de fazer-te ao mesmo tempo e descoordenada como sou ainda batíamos com as cabeças uma na outra. ;)*

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