quarta-feira, 9 de julho de 2008

A TERRA DO FIM

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Dedicado ao Renato Epifânio



Ó necrópoles, citânias: terras... e
As pátrias que se escondem nelas.
Terras sem a pata em cima mais
O lume nas alturas a crepitar nas lajes,
Nas águas santas que cantam e fluem
Na raiz antiga de povos indomáveis.
Os castros, as casas para ler na pedra,
O grito valente do falcão peregrino.

Ó Lima, ó Limaia, ó Lethes!

Canta, canta agora o que é eterno:
Os castelos nas arribas, as torres de sino,
Os homens de rostos férreos e limpos,
A vozearia do vento nocturno, o raio,
As terras livres para o cão e o cavalo!
Os homens mudaram-se, a noite ficou.
Por isso canta, bardo canta, abre o peito e
Glorifica o ventre materno do chão!

A única pátria é o sangue, a memória,
A tua palavra forte que fala do sangue.


Lord of Erewhon

8 comentários:

  1. Como os Cavaleiros não são, por natureza, dados a pieguices, nem sequer te agradeço...
    ABRAÇO MIL

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  2. a pátria é também o que está escrito, e este poema é também a pátria, "a casa que há-de ser lida numa pedra, o grito do falcão peregrino". este poema é muito muito bom, e merece todo o respeito. um abraço, lord.

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  3. É bom ser patriotiota, desde que essa mesma pátria seja boa para com os seus conterrâneos. É?


    25 DE ABRIL
    Lenya Terra

    Depois de retiradas as mordaças,
    Sorrisos se abriram, iluminados,
    Por não sentirem mais as ameaças,
    Dos anos que viveram flagelados.

    Todo cano de qualquer espingarda,
    Por cravo vermelho fora adornado
    E a revolução desencadeada
    Enterrou a repressão no passado.

    Nas ruas, um mar de gente feliz
    Cantava pelos cantos da cidade...
    Juntavam-se às tropas, os civis,
    Num grito de vitória e liberdade.

    Pelas partes da Baixa e do Terreiro
    Marcharam, com esperança no futuro,
    Deixando para trás o lamaceiro
    Da história, daquele tempo obscuro.

    Muita gente alegremente acenava,
    Saudando aquele povo varonil
    Que por uma Pátria livre marchava,
    Na luta do vinte e cinco de abril.

    Pesquisa: “Léguas a nos separar”, do historiador da UERJ, RJ, Francisco Carlos Palomanes Martinho; http://joaquimevonio.com

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  4. Teu poema é lindaço, assim como tu és!
    Beijos, irmão.

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  5. Belo poema!

    "A única pátria é o sangue, a memória,
    A tua palavra forte que fala do sangue."

    Palavras que marcam. Já sabes que tenho a mania de esmiuçar tudo:)

    Beijinho.

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