domingo, 6 de julho de 2008

Obituário n° 23

Morreu da noite pro dia
de bala na testa, de tombo na rua;

morreu de adeus, de trovão, de cachaça;

sorriu solitário um sorriso sem graça.


Morreu que ninguém se deu conta,

assim depois do almoço;

assim antes do tempo;

morreu apenas e pronto!


Morreu de algum ataque fulminante.

Quem sabe de veneno, de paulada.

Morreu de facada, de muito obrigado;

um golpe de machado, um aceno.


Morreu de vergonha, morreu de trabalho;

aposta de jogo, morreu de vingança;

morreu de esperança, de assalto, de apreço;

morreu no começo de um cigarro.


Morreu de morte matada.

Sofrida.

Chorada.

Morrida.

Enfim: viveu de vida vivida.

[Fabrício Fortes - fabricio.fortes@hotmail.com]

2 comentários:

  1. Aqui estamos, de novo, irmão de além mar, um pouco depois da tempestade, em pleno, de rosto levantado. Ninguém nos mata sem luta, e a nossa causa é nobre, e por nós fala.

    Aqui, somos mais do que homens.

    Aquele abraço!

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  2. Não importa o nome, nem o sobrenome, nem a causa mortis...acabamos todos por virar um número no obituário após tanta ou breve vida vivida.

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