sábado, 12 de julho de 2008

O CAVALEIRO SEM CORAÇÃO

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Dedicado ao Paulo Borges



Entre valas negras, enterrou fundo
O seu pobre coração de chumbo e
Vai, para onde vai o vento. Os lábios,
Secos, a pedir a paga mais simples,
A sombra, o pão, a água e o caminho.

Devolvam ao cavaleiro perdido
A sua rosa de sangue, a que é pura,
A que canta alto na noite e,
Quando mãos a tocam, se desfaz
Em pássaros roxos. Escuras, tristes,
As águas choram, choram
Porque ele passa, passa e não fica.

Cavaleiro sem coração, «Adeus!»,
«Voltas quando voltar o vento?»,
O vulto que passa, passa e não fica,
Os pássaros roxos por companhia.

Ó devolvam-lhe, águas chorem, ó
Devolvam-lhe a sua rosa de sangue.


Lord of Erewhon

5 comentários:

  1. O Cavaleiro e os Moinhos
    Composição: João Bosco & Aldir Blanc

    Acreditar
    Na existência dourada do sol
    mesmo que em plena boca
    nos bata o açoite contínuo da noite.
    Arrebentar
    a corrente que envolve o amanhã,
    despertar as espadas,
    varrer as esfinges das encruzilhadas.
    Todo esse tempo
    foi igual a dormir num navio:
    sem fazer movimento,
    mas tecendo o fio da água e do vento.
    Eu, baderneiro,
    me tornei cavaleiro,
    malandramente,
    pelos caminhos.
    Meu companheiro
    tá armado até os dentes:
    já não há mais moinhos

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  2. Devolver o coração de um cavaleiro é viajar no tempo e reintegrar valores esquecidos.
    Beijos pro maninho-poeta.

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  3. O que se perde ou renuncia só regressa no reencontro do que nunca houve.

    Graças! Saúde!

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  4. [...]
    (As minhas grandes saudades
    São do que nunca enlacei.
    Ai, como eu tenho saudades
    Dos sonhos que não sonhei!...)

    E sinto que a minha morte -
    Minha dispersão total -
    Existe lá longe, ao norte,
    Numa grande capital.
    [...]

    Mário de Sá-Carneiro, Dispersão



    Para que o que nunca houve, seja, alguém tem que procurar caminho - um de terra.

    Abraço, Paulo.
    P. S. Tu conheces o meu coração... o mais são palavras que o fogo, no fim, devorará.

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  5. Obrigado pela letra, Bia; Quixote me inspira muito - embora o meu cavaleiro nada tenha de pícaro... é o mundo em volta que se tornou sem sentido, uma miragem.

    Beijinho... ;)

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