Dedicado ao Paulo Borges
Entre valas negras, enterrou fundo
O seu pobre coração de chumbo e
Vai, para onde vai o vento. Os lábios,
Secos, a pedir a paga mais simples,
A sombra, o pão, a água e o caminho.
Devolvam ao cavaleiro perdido
A sua rosa de sangue, a que é pura,
A que canta alto na noite e,
Quando mãos a tocam, se desfaz
Em pássaros roxos. Escuras, tristes,
As águas choram, choram
Porque ele passa, passa e não fica.
Cavaleiro sem coração, «Adeus!»,
«Voltas quando voltar o vento?»,
O vulto que passa, passa e não fica,
Os pássaros roxos por companhia.
Ó devolvam-lhe, águas chorem, ó
Devolvam-lhe a sua rosa de sangue.
Lord of Erewhon
O Cavaleiro e os Moinhos
ResponderEliminarComposição: João Bosco & Aldir Blanc
Acreditar
Na existência dourada do sol
mesmo que em plena boca
nos bata o açoite contínuo da noite.
Arrebentar
a corrente que envolve o amanhã,
despertar as espadas,
varrer as esfinges das encruzilhadas.
Todo esse tempo
foi igual a dormir num navio:
sem fazer movimento,
mas tecendo o fio da água e do vento.
Eu, baderneiro,
me tornei cavaleiro,
malandramente,
pelos caminhos.
Meu companheiro
tá armado até os dentes:
já não há mais moinhos
Devolver o coração de um cavaleiro é viajar no tempo e reintegrar valores esquecidos.
ResponderEliminarBeijos pro maninho-poeta.
O que se perde ou renuncia só regressa no reencontro do que nunca houve.
ResponderEliminarGraças! Saúde!
[...]
ResponderEliminar(As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que não sonhei!...)
E sinto que a minha morte -
Minha dispersão total -
Existe lá longe, ao norte,
Numa grande capital.
[...]
Mário de Sá-Carneiro, Dispersão
Para que o que nunca houve, seja, alguém tem que procurar caminho - um de terra.
Abraço, Paulo.
P. S. Tu conheces o meu coração... o mais são palavras que o fogo, no fim, devorará.
Obrigado pela letra, Bia; Quixote me inspira muito - embora o meu cavaleiro nada tenha de pícaro... é o mundo em volta que se tornou sem sentido, uma miragem.
ResponderEliminarBeijinho... ;)