sábado, 21 de junho de 2008

SUDÁRIO, ESCUDO VERMELHO E ESPADA

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Dedicado ao 1º Sargento CMD Roma Pereira, morto no Afeganistão
Fotos por cortesia de Amigos


A morte, a de sempre, real, a que uiva
Desde o início dos tempos, de luvas negras,
A que não se mostra na TV, entre a sopa,
Os talheres sem fio, as toalhas sujas, os rostos
Zombificados da família dopada.
A morte, ceifeira muda que estende a mão
Aos mortos – valquíria antiga, valente e pura –
Para longe da miséria dos vivos,
Nas suas tocas, tronos, como vermes,
Ou pardas toupeiras cegas, ávidas, à procura
Da sua ração de gozo no lixo.

Estes, os guerreiros sem nome nos livros,
Nas conversas de café e de bordel,
Que são antes os primeiros – os olhos são altos –
A correr para as muralhas da cidade,
Tijolos de carne e amor, estandartes da honra,
Lanças e clarins, ao sol, à geada,
Defendem as fronteiras do Ocidente, protegem-nos
Nas Termópilas ainda, em Aljubarrota,
Com a memória dos filhos no coração sangrante,
A terra pátria guardada nas mãos.

Não leram Heraclito e são o garante da lei,
As páginas de sangue em que duramos e somos.


Klatuu Niktos

13 comentários:

  1. poema maravilhoso.. um desfecho arrebatadador! algo que comove e faz pensar..
    parabéns!

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  2. Um bom homem e um militar de grande bravura e dignidade, que deixou viúva e uma filha pequena, ao serviço de Portugal e dos valores da democracia e da liberdade defendidos pela Civilização Ocidental - a pena dos poetas nunca poderá rivalizar com a espada e o escudo que segurou com honra até ao instante final!

    Obrigado, Amigo Fabrício.
    Um abraço!

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  3. O sofrimento e a dor dessa gente não sai no jornal, são heróis anônimos que a História não particulariza, sabe-se do todo e não de parte por parte do que se passou por esses corações e cabeças.
    Poema lindo e impactante como tu!
    Beijos.

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  4. Tou escutando colibri no meio do bananal e ouvindo discurso de mosca! LOL!!

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  5. A segunda e terceira estrofes do poema dialogam com este pensamento de Heraclito e a Herança Helénica:

    «Deve o povo lutar em defesa da lei como se fosse as muralhas da cidade.» Frag. 44 D (D. L., IX, 2)

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  6. Comovente e merecida homenagem, extensível a todos aqueles que caem no campo de batalha ao serviço da Pátria.
    Os guerreiros anónimos sem nome nos livros merecem toda a nossa admiração e respeito.

    "...a pena dos poetas nunca poderá rivalizar com a espada e o escudo que segurou com honra até ao instante final!"

    Rivalizar não, mas ajudar a imortalizar, sim.
    A pena é também uma arma.

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  7. "Sempre que a Pátria decreta,
    Vem-nos de Deus o recado.
    — E veste-se cada poeta
    De soldado."

    (Rodrigo Emílio, 1973)

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  8. É com um coração emocionado que comento este belo poema deixado a um Camarada, a um Irmão, a um Compatriota. Gostava de evocar também aqui o Cabo Horácio Mourão, gravemente ferido pela mesma mina que vitimou o Srg. Roma Pereira.

    Roma era tudo isso para mim, apesar de não o conhecer pessoalmente, todos os que cruzaram os portões de um qualquer quartel de Comandos, na qualidade de mancebos são meus Irmãos.

    Também o são todos aqueles que tombaram a servir a nossa Pátria, todos os que com coragem e valentia, mas também com medo e dor lutaram para defender a honra e a dignidade do país em que nasci.

    Pelos COMANDOS e por PORTUGAL

    MAMA SUME

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  9. É tão pouco, Nitrox. E só agradeço a tua estima, a tua chamada de atenção e o apreço, teu e dos teus camaradas, em ler o que escrevo.

    Abraço!
    Viva Portugal!

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  10. Casimiro, não me piques com o Emílio, que ando a comer mal... :)

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