quinta-feira, 26 de junho de 2008

Pátria




no sonho de ouro das mais altas nuvens se recorta o teu destino.
ajoelho-me e beijo o teu corpo adormecido, solo onde se escoam os últimos raios de luz. em ti sorvo o rubro do sangue, o som de antigas vozes caminhando até mim, o silvo da flecha a sulcar as profundezas do verde. em ti colho a memória da beleza eterna, a cor e o perfume da rosa, o sal de todos os mares, a tradução de todas as paisagens.
ave, mãe, navio: assim sei eu dizer-te.

10 comentários:

  1. A brisa que não se faz notar, os reflexos do crepúsculo no castanho húmido da folha, o canto silente das pequenas coisas do mundo que aguardam a alba - assim é a tua poética; tece-se sem alarde; tão bela, pura e alta.

    Bem-vinda, querida amiga!

    P. S. Fico à espera do relato da missiva transviada...

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  2. esplendoroso retrato da Pátria :)

    beijo*

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  3. wow...lirismo patriótico...sublime e tão vibrante quanto um beijo no solo mãe!
    Sê bem-vinda!
    Beijos.

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  4. "assim sei eu dizer-te."

    E dizes de uma forma que me encantou. Gostei muito.

    Um beijinho.

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  5. Bela foto e belo texto. Mas porque tanta idolatria da pátria ? Não vêem nada mais além ?...

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  6. E o outro amigo perguntador... não se apoquente, não vêmos mais além, mas já encomendámos óculos.

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  7. aos bloggers que aqui deixaram comentário, deixo o meu abraço fraterno.
    perguntador: vejo "mais além", :)sim. mas o que importa foi o que moldou o meu olhar.

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  8. só a beleza salvará o mundo, aquilária.

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  9. "Do que você precisa, acima de tudo, é de se não lembrar do que eu lhe disse; nunca pense por mim, pense sempre por você; fique certo de que mais valem todos os erros se forem cometidos segundo o que pensou e decidiu do que todos os acertos, se eles forem meus, não seus. Se o criador o tivesse querido juntar a mim não teríamos talvez dois corpos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição venha a pensar o mesmo que eu; mas nessa altura já o pensamento lhe pertence. São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes: a de se não conformarem."



    Agostinho da Silva


    Bem-vinda aquilária.

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