Exaltamos Dom Sebastião e citamos Padre António Vieira e Agostinho da Silva a torto e a direito, quando cada um de nós ainda padece do vício generalizado de tomar todos os textos á letra ... Sem querer, nós reproduzimos essa tendência milenar do mundo Latino que é a de se arrebanhar atrás de "homens providenciais" ... Não seria muito mais útil se, em vez de debitar letra a letra o que nos dizem os mestres, descodificássemos a sua mensagem mais profunda, que é a de ouvirmos a nossa voz interior antes e acima de tudo?
Oh Aninha ... Que mocinha ingénua que você me parece ser ... Que Portuguezinha mais babaca ... Já leu "O Triunfo dos Porcos" do Orwell, já? Leia, querida e veja o que faz o povão quando se põe de lado os "homens providencias" ...
ResponderEliminarPorque perdermos tempo (neste mundo onde ele é um bem tão escasso) se outros antes de nós matutaram, pensaram e falaram?
ResponderEliminarPessoalmente falando, não me repugna citar, comentar e desenvolver a partir destes dois primeiros passos o racionício de terceiros...
Não passo de um anão caminhando sobre os ombros de gigantes e sou infinitamente menos sábio que qualquer um deles...
Se de permeio surgir alguma ideia realmente original, não a rejeito.
Mas depois de tanto pensador, filósofo, escola, religião e filosofia... Começa a ser difícil criar algo de radicalmente novo...
Cara Ana Esteves, entendo o que quer dizer, mas entenda também que, muitos dos que seguem Agostinho não o fazem como rebanho, mas porque cumpriram a palavra do Mestre quando disse:
ResponderEliminar[…]Se o criador o tivesse querido juntar a mim não teríamos talvez dois corpos ou duas cabeças também distintas. Os meus conselhos devem servir para que você se lhes oponha. É possível que depois da oposição venha a pensar o mesmo que eu; mas nessa altura já o pensamento lhe pertence.[…]
Só que, não lhe usurpamos o pensamento.
Fale por si, eu só sigo o Pato Donald, fascina-me a plumagem alva.
ResponderEliminarP. S. E, sim, sem dúvida, Agostinho da Silva assumiu-se como profeta, mas apenas para os seus gatos, aos quais revelou os seus intercâmbios mediúnicos com a Arcanja Gabriel, entre cervejas e lagostas.
ResponderEliminarCertamente que Lao-Tse criou qualquer de novo a partir não se sabe de que fontes.. Confucio criou qualquer coisa de novo sem citar quem quer que fosse, tal como Buda e Cristo. Marx e Engels criaram de novo criticando o que existia. Agostinho da Silva criou de novo assimilando tudo isto, por sua conta e risco mas sem se escudar em ninguém mas a muitos enaltecendo.
ResponderEliminarPessoalmente penso que o acto de citar envolve muita responsabilidade e quando estudo AS ou tento ver com os seus olhos penso sempre nesta sua expressão:
"...o que penso ou escrevo hoje é do eu de hoje; o de amanhã é livre de, a partir de hoje, ter sua trajectória própria e sua meta particular. Mas, se quiserem pôr-me assinatura que notário reconheça, dirão que tenho a coerência do incoerente e a originalidade de não me importar nada com isso."
E como tenho a profunda convicção que o exemplo de AS tem muito a dar a Portugal, não pouparei esforços para que as suas ideias continuem vivas, razão por que vou recordar estas suas palavras:
"Pelo que me respeita, não creio ser original no que digo; não abro ficha de leituras, não me preocupa muito fixar o nome do pensador cujo modo de ver me pareceu certo; não me inclino muito a ideias difíceis e raras, o que bem ajuda a citar , antes o que me interessa é ir às comezinhas, habituais e vulgares , que vão dando bom pavimento para a marcha, e fiquem as pedras raras, bem defendidas por seus possuidores, nas montras dos ouríves; além de tudo, ainda creio que ir escutando o povo, andar de ouvido bem aberto em suas feiras e transportes, reflectir em seus provérbios, é alimento de boa qualidade para quem se interessa sobretudo pela sorte do povo, confia na sua razão e no seu futuro e tem perante a maioria da gente culta o sentimento de que está sempre ouvindo receitas estrangeiras, na maioria das vezes mal aprendidas e mal prescritas"