EM TODO O PAÍS & MUNDO LUSÓFONO: LANÇAMENTOS NOVA ÁGUIA: REVISTA DE CULTURA PARA O SÉCULO XXI

Desde 2008, "a única revista portuguesa de qualidade que, sem se envergonhar nem pedir desculpa, continua a reflectir sobre o pensamento português".

A Águia foi uma das mais importantes revistas do início do século XX em Portugal, em que colaboraram algumas das mais relevantes figuras da nossa Cultura, como Teixeira de Pascoaes, Jaime Cortesão, Raul Proença, Leonardo Coimbra, António Sérgio, Fernando Pessoa e Agostinho da Silva.

A NOVA ÁGUIA pretende ser uma homenagem a essa tão importante revista da nossa História, procurando recriar o seu “espírito”, adaptado ao século XXI, conforme se pode ler no nosso
Manifesto.

Tal como n’ A Águia, procuraremos o contributo das mais relevantes figuras da nossa Cultura, que serão chamadas a reflectir sobre determinados temas:

- 1º número (1º semestre de 2008): A ideia de Pátria: sua actualidade.

- 2º número (2º semestre de 2008): António Vieira e o futuro da Lusofonia.

- 3º número (1º semestre de 2009): O legado de Agostinho da Silva, 15 anos após a sua morte.

- 4º número (2º semestre de 2009): Pascoaes, Portugal e a Europa: 20 anos após a queda do Muro de Berlim.

- 5º número (1º semestre de 2010): Os 100 anos d' A Águia e a situação cultural de hoje.

- 6º número (2º semestre de 2010): A República, 100 anos depois.

- 7º número (1º semestre de 2011): Fernando Pessoa: "Minha pátria é a língua portuguesa" (nos 15 anos da CPLP).

- 8º número (2º semestre de 2011): O Pensamento da Cultura de Língua Portuguesa: nos 30 anos da morte de Álvaro Ribeiro.

- 9º número (1º semestre de 2012): Nos 100 anos da Renascença Portuguesa: como será Portugal daqui a 100 anos?

- 10º número (2º semestre de 2012): Leonardo Coimbra, Dalila Pereira da Costa, Manuel Laranjeira e João de Deus: Razão e Espiritualidade.

- 11º número (1º semestre de 2013): "Da minha língua vê-se o mar": o Mar e a Lusofonia.

- 12º número (2º semestre de 2013): O pensamento de António Quadros - nos 20 anos do seu falecimento.

- 13º número (1º semestre de 2014): O balanço de Abril, 40 anos depois - nos 20 anos do falecimento de Agostinho da Silva.

- 14º número (2º semestre de 2014): 80 Anos da "Mensagem" – 8 Séculos da Língua Portuguesa.

- 15º número (1º semestre de 2015): Nos 100 Anos do “Orpheu” e da "Arte de Ser Português"

- 16º número (2º semestre de 2015): Quem tem medo da Filosofia Lusófona? Nos 100 anos do falecimento de Sampaio Bruno.

- 17º número (1º semestre de 2016): A importância das Diásporas para a Lusofonia.

- 18º número (2º semestre de 2016): Autores em destaque - Ariano Suassuna, Delfim Santos e Vergílio Ferreira.

- 19º número (1º semestre de 2017): O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa ; Afonso de Albuquerque: 500 anos depois.

- 20º número (2º semestre de 2017): José Rodrigues (no ano da sua morte); Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento); Francisco Manuel de Melo (nos 350 anos da sua morte).

- 21º número (1º semestre de 2018): Ainda sobre José Rodrigues; Fidelino de Figueiredo (nos 50 anos da sua morte); António Nobre e Raul Brandão (nos 150 anos do seu nascimento).

- 22º número (2º semestre de 2018): V Congresso da Cidadania Lusófona; Dalila Pereira da Costa (nos 100 anos do seu nascimento); Francisco do Holanda (nos 500 anos do seu nascimento).

- 23º número (1º semestre de 2019): Nos 10 anos do MIL: Movimento Internacional Lusófono); Almada Negreiros; ainda sobre Dalila Pereira da Costa.

- 24º número (2º semestre de 2019): Afonso Botelho (nos 100 anos do seu nascimento).

Para o 24º número, os textos devem ser enviados até ao final de Junho.

Sede Editorial: Zéfiro - Edições e Actividades Culturais, Apartado 21 (2711-953 Sintra).
Sede Institucional: MIL - Movimento Internacional Lusófono, Palácio da Independência, Largo de São Domingos, nº 11 (1150-320 Lisboa).

Contactos: novaaguia@gmail.com ; 967044286.

Capa da NOVA ÁGUIA 22

Capa da NOVA ÁGUIA 22

EDITORIAL NOVA ÁGUIA 22

Em todos os seus números, a Revista NOVA ÁGUIA tem assumido o propósito de, sem qualquer complexo histórico, dar voz às várias culturas lusófonas. Eis o que neste número uma vez mais acontece, de forma particularmente eloquente, desde logo na secção de abertura, onde publicamos uma selecção de textos apresentados no V Congresso da Cidadania Lusófona, promovido pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono.

Na secção seguinte, publicamos uma dezena de textos sobre Dalila Pereira da Costa, cujo centenário do nascimento se comemora em 2018. Depois de já a termos homenageado no ano do seu falecimento (2012), promovemos este ano um Ciclo Evocativo sobre a sua Obra no Palacete Viscondes de Balsemão, no Porto, sua cidade natal, onde alguns dos textos que aqui publicamos foram apresentados em primeira mão.

A par de Dalila Pereira da Costa, Francisco de Holanda é a grande figura em destaque neste número da NOVA ÁGUIA. Em 2017 assinalaram-se os quinhentos anos do seu nascimento e o Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, em parceria com outras entidades, promoveu, na Biblioteca Nacional, em Lisboa, um Colóquio sobre a sua “Pintura e Pensamento”. No essencial, são os textos apresentados nesse Colóquio que aqui publicamos: dezena e meia de textos, que dão conta das diversas facetas de uma obra absolutamente singular no âmbito da cultura lusófona.

Temos depois uma série de outras “Evo(o)cações”, naturalmente mais breves: de Albano Martins, que nos deixou neste ano, até Dora Ferreira da Silva e Manuel Antunes (que completariam igualmente cem anos em 2018), passando por outras figuras não menos relevantes – nomeadamente, Ferreira Deusdado, falecido há cem anos (e que será o autor de referência do IV Colóquio do Atlântico, por iniciativa do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, da Universidade dos Açores e da Universidade Católica Portuguesa).

Na secção seguinte, “Outros voos”, mantemos essa senda lusófona, começando por dois ensaios: um sobre a “Expressão e Sentido da Saudade na poesia angolana e moçambicana”, outro sobre o “Ensino da Filosofia em Cabo Verde”. Como igualmente tem sido hábito, publicamos, em “Extravoo”, mais alguns inéditos – nomeadamente, de Agostinho da Silva e António Telmo, dois autores de referência para a NOVA ÁGUIA. Por fim, em “Bibliáguio”, publicamos uma série de recensões de algumas obras recentemente lançadas (parte das quais publicadas também com a nossa chancela), e, em “Memoriáguio”, registamos fotograficamente alguns eventos para memória futura.

A Direcção da NOVA ÁGUIA

Post Scriptum: Dedicamos este número, no plano pessoal, a Manuel Ferreira Patrício, que completou em Setembro oitenta anos (particularmente fecundos) de vida – no próximo número, publicaremos um extenso ensaio, de Emanuel Oliveira Medeiros, sobre a sua Obra. No plano institucional, dedicamos este número à Academia Internacional da Cultura Portuguesa, que, em Junho deste ano, honrou o MIL: Movimento Internacional Lusófono (e, por extensão, a NOVA ÁGUIA) com a distinção de “Instituição Honorária”. À Academia Internacional da Cultura Portuguesa, na pessoa de Adriano Moreira, o nosso público reconhecimento por tão honrosa distinção.

NOVA ÁGUIA Nº 22: ÍNDICE

NOVA ÁGUIA Nº 22: ÍNDICE

Editorial…5

CIDADANIA LUSÓFONA: V CONGRESSO

Intervenções de Adriano Moreira (p. 8), Braima Cassamá (p. 10), Delmar Maia Gonçalves (p. 11), Elter Manuel Carlos (p. 12), Isabel Potier (p. 15), Ivonia Nahak Borges (p. 16), Luísa Timóteo (p. 18), Maria Dovigo (p. 18), Mariene Hildebrando e Paulo Manuel Sendim Aires Pereira (p. 21), Valentino Viegas (p. 23), Zeferino Boal (p. 26) e Carlos Mariano Manuel (p. 27).

DALILA PEREIRA DA COSTA, 100 ANOS DEPOIS

DALILA PEREIRA DA COSTA: NOTA BIO-BIBLIOGRÁFICA | Rui Lopo…32

IN VOCAÇÃO | Alexandre Teixeira Mendes…35

DALILA PEREIRA DA COSTA E A MITOLOGIA PORTUGUESA | António Braz Teixeira…36

DALILA PEREIRA DA COSTA E A NATUREZA MATRIARCAL DE PORTUGAL | Artur Manso…42

A COROGRAFIA SAGRADA NA OBRA DE DALILA PEREIRA DA COSTA | Joaquim Domingues…51

ENCONTRO NA NOITE: ACERCA DO ONIRISMO MÍSTICO DE DALILA PEREIRA DA COSTA | José Rui Teixeira…56

COM DALILA NO REEGA…GAÇO DE ATAEE…GINA | Maria José Leal…61

DA SUBLIMAÇÃO DA MULHER NO PENSAMENTO DE DALILA PEREIRA DA COSTA | Maria Luísa de Castro Soares…67

DALILA: O PANO DE FUNDO OU UMA PREMISSA INTERPRETATIVA ESSENCIAL | Pedro Sinde…74

LEMBRANÇA DE UMA TESE DE DALILA | Pinharanda Gomes…76

FRANCISCO DE HOLANDA, 5 SÉCULOS DEPOIS

O SENTIDO METAFÍSICO DA CRIAÇÃO EM FRANCISCO DE HOLANDA: ARTE E SER | Américo Pereira…80

FRANCISCO DE HOLANDA, OU DE COMO DESENHAR OS NOVOS MUNDOS POR ACHAR | António Moreira Teixeira…83

FRANCISCO DE HOLANDA, O VARÃO ILUSTRE, CENSURADO E ESQUECIDO | Delmar Domingos de Carvalho…93

FRANCISCO DE HOLANDA: DA IMITAÇÃO À IDEIA | Idalina Maia Sidoncha…94

FRANCISCO DE HOLANDA E O DIÁLOGO LUSO-ITALIANO NO CONTEXTO DO RENASCIMENTO EUROPEU DO SÉC. XVI | José Almeida…101

FRANCISCO DE HOLANDA E O FUROR DIVINO | José Eliézer Mikosz…106

A VISÃO DE LIMA DE FREITAS SOBRE O OLHAR DE FRANCISCO DE HOLANDA | Lígia Rocha…113

A TEORIA ESTÉTICO-METAFÍSICA DA PINTURA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Manuel Cândido Pimentel…121

A CIDADE DA ALMA EM FRANCISCO DE HOLANDA | Manuel Curado…126

FRANCISCO DE HOLANDA E A ARTE | Maria de Lourdes Sirgado Ganho…134

OS MEDALHÕES NA OBRA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Maria Teresa Amado…127

APONTAMENTO SOBRE FRANCISCO DA HOLANDA | Mário Vítor Bastos…143

FRANCISCO DE HOLANDA: A CIRCULAÇÃO DO SABER EM ARQUITETURA NO SÉCULO XVI | Paulo de Assunção…153

A NOÇÃO DE ARTE COMO PARTICIPAÇÃO DA CRIAÇÃO DIVINA, NO MISTICISMO MANEIRISTA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Samuel Dimas…165

A TEORIA DO PINTOR NA OBRA DE FRANCISCO DE HOLANDA | Teresa Lousa…170

OUTRAS EVO(O)CAÇÕES

AGOSTINHO DA SILVA | Pedro Martins…176

ALBANO MARTINS | António Fournier e António José Borges…181

ANTÓNIO BRAZ TEIXEIRA | Samuel Dimas…184

ANTÓNIO CABRAL | Manuela Morais…195

ANTÓNIO QUADROS | José Lança-Coelho…196

CASAIS MONTEIRO | António Braz Teixeira…197

DORA FERREIRA DA SILVA | Constança Marcondes César…200

FERREIRA DEUSDADO | Artur Manso…202

MANOEL TAVARES RODRIGUES-LEAL | Luís de Barreiros Tavares…212

MANUEL ANTUNES | Nuno Sotto Mayor Ferrão…216

MÁRCIA DIAS | Zeferino Boal…218

OUTROS VOOS

EXPRESSÃO E SENTIDO DA SAUDADE NA POESIA ANGOLANA E MOÇAMBICANA DA GERAÇÃO DE 1985 | António Braz Teixeira…220

BREVE REFLEXÃO SOBRE O ENSINO DA FILOSOFIA EM CABO VERDE | Elter Manuel Carlos…224

PARA UMA DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS DA MÃE | José Eduardo Franco…231

A FISSURA NA MURALHA OU O “PRINCÍPIO DA AUTODETERMINAÇÃO” | Pedro Sinde…233

DOZE DEAMBULAÇÕES PRÓ-LUSÓFONAS | Renato Epifânio…235

AUTOBIOGRAFIA 5 | Samuel Dimas…248

EXTRAVOO

VIDA CONVERSÁVEL - SEGUNDA PARTE (CONTINUAÇÃO) | Agostinho da Silva…262

DIÁLOGOS DO MÊS DE OUTUBRO (EXCERTO) | António Telmo…264

BIBLIÁGUIO

A VIA LUSÓFONA III | Miguel Real…270

AMADEO DE SOUZA-CARDOSO: A FORÇA DA PINTURA & A “RENASCENÇA PORTUGUESA”: PENSAMENTO, MEMÓRIA E CRIAÇÃO | Renato Epifânio…272

NO REGAÇO DE ATAEGINA | José Almeida…274

MESTRES DA LÍNGUA PORTUGUESA | Jorge Chichorro Rodrigues…275

POEMÁGUIO

RENASCER A SUL | Maria Luísa Francisco…30

EXPRESSAR UM ISMO; PROVA DEVIDA | António José Borges…31

ABORRECIMENTO | Arthur Grupillo…174-175

DOM SEBASTIÃO, O QUE NÃO DESCANSA; IBN QASI, TODA A VIDA NA MORTE | Jesus Carlos…215

FAZEMOS METÁFORAS; PEREGRINAÇÃO | Samuel Dimas…261

ROSTO; RESIDUAL; ARRAIS; CUNEIFORME; ANJO | Luísa Borges…268-269

CRONOS & KAIROS; PRINCIPIUM SAPIENTIAE | Paulo Ferreira da Cunha…279

MEMORIÁGUIO…280

MAPIÁGUIO…281

ASSINATURAS…281

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…284


Apresentação da NOVA ÁGUIA 22

Apresentação da NOVA ÁGUIA 22
24 de Outubro, no Palácio da Independência (Lisboa). Para ver o vídeo, clicar sobre a imagem...

Para agendar um lançamento: novaaguia@gmail.com; 967044286.

MAPIÁGUIO (mapa de locais de lançamentos da NOVA ÁGUIA): Albufeira, Alcochete, Alcoutim, Alhos Vedros, Aljezur, Aljustrel, Allariz (Galiza), Almada, Almodôvar, Alverca, Amadora, Amarante, Angra do Heroísmo, Arraiolos, Assomada (Cabo Verde), Aveiro, Azeitão, Baía (Brasil), Bairro Português de Malaca (Malásia), Barcelos, Batalha, Beja, Belo Horizonte (Brasil), Bissau (Guiné), Bombarral, Braga, Bragança, Brasília (Brasil), Cacém, Caldas da Rainha, Caneças, Campinas (Brasil), Carnide, Cascais, Castro Marim, Castro Verde, Chaves, Cidade Velha (Cabo Verde), Coimbra, Coruche, Díli (Timor), Elvas, Ericeira, Espinho, Estremoz, Évora, Faial, Faro, Felgueiras, Figueira da Foz, Freixo de Espada à Cinta, Fortaleza (Brasil), Guimarães, João Pessoa (Brasil), Lagoa, Lagos, Leiria, Lisboa, Loulé, Loures, Luanda (Angola), Mafra, Mangualde, Marco de Canavezes, Mem Martins, Messines, Mindelo (Cabo Verde), Mira, Montargil, Montijo, Murtosa, Nazaré, Nova Iorque (EUA), Odivelas, Oeiras, Olhão, Ourense (Galiza), Ovar, Pangim (Goa), Pisa (Itália), Ponte de Sor, Pontevedra (Galiza), Portalegre, Portimão, Porto, Praia (Cabo Verde), Queluz, Recife (Brasil), Redondo, Régua, Rio de Janeiro (Brasil), Rio Maior, Sabugal, Sacavém, Sagres, Santiago de Compostela (Galiza), São Brás de Alportel, São João da Madeira, São João d’El Rei (Brasil), São Paulo (Brasil), Seixal, Sesimbra, Setúbal, Silves, Sintra, Tavira, Tomar, Torres Novas, Torres Vedras, Trofa, Turim (Itália), Viana do Castelo, Vila do Bispo, Vila Meã, Vila Nova de Cerveira, Vila Nova de Foz Côa, Vila Nova de São Bento, Vila Real, Vila Real de Santo António e Vila Viçosa.

Nota: Muitos destes lançamentos, não só no país como por todo o espaço lusófono, só têm sido possíveis pelo apoio que a este projecto tem sido dado, desde a primeira hora, pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono. O nosso público reconhecimento por isso. Desta forma, a NOVA ÁGUIA tem tido uma projecção não apenas estritamente nacional mas lusófona.

PARA ASSINAR A NOVA ÁGUIA:

https://zefiro.pt/as-nossas-coleccoes-zefiro-revista-nova-aguia-assinaturas

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural

O "3º momento alto" da nossa tradição filosófico-cultural
Ângelo Alves, "A Corrente Idealistico-gnóstica do pensamento português contemporâneo"

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA

Manuel Ferreira Patrício, sobre o MIL e a NOVA ÁGUIA
In AA.VV. "A Vida como Projecto. na senda de Ortega e Gasset", Universidade de Évora Edições, 2014, p. 13.
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domingo, 16 de outubro de 2016

Capa e Editorial da NOVA ÁGUIA 18...

 

Tal como aconteceu em todos os restantes números, também na NOVA ÁGUIA 18 se evocam diversos autores marcantes da cultura lusófona. Neste número, começamos com uma série de textos sobre Ariano Suassuna – textos apresentados num Colóquio promovido pelo Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, em Abril de 2015 – e Vergílio Ferreira, assinalando o centenário do seu nascimento.

Depois, de forma mais breve mas não menos sentida, evocamos uma série de outros autores, a começar pelo nunca entre nós esquecido Agostinho da Silva – transcrevendo a Conferência que, sobre ele, Eduardo Lourenço proferiu num Colóquio realizado no primeiro semestre deste ano, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Em “Outros Voos”, outros temas são abordados – como, nomeadamente, “a cidadania europeia e a construção do futuro da Europa” (por Adriano Moreira), “a importância das diásporas para Angola” (por Carlos Mariano Manuel), “os caminhos da separação e os motivos da reaproximação entre Brasil e Portugal” (por José Maurício de Carvalho), a questão dos “estrangeirados” (por Miguel Real), ou, ainda, “a Renascença Portuguesa e a Seara Nova” (por Pinharanda Gomes).

Em “Extravoo”, publicamos uma série de textos inteiramente inéditos ou ainda muito pouco conhecidos: de Agostinho da Silva, de Raul Leal, de Vergílio Ferreira e de Delfim Santos. Do último, publicamos a sua “Autobiografia”, um texto só em parte até agora conhecido. Desta forma, associamo-nos ao Ciclo Evocativo que decorre neste ano de 2016, com o alto patrocínio do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira, cinquenta anos após o falecimento deste insigne filósofo lusófono.

Depois, em “Bibliáguio”, publicamos uma série de recensões sobre algumas obras marcantes para a cultura lusófona publicadas nos últimos meses - nomeadamente: a Paisagem Portuguesa de Carlos Queiroz, o Epistolário de António Quadros e António Telmo, a Última Entrevista à Imprensa de Agostinho da Silva, o terceiro tomo dos textos relativos à Teoria do Ser e da Verdade de José Marinho, e o Dicionário Crítico de Filosofia Portuguesa. Por fim, em “Memoriáguio”, registamos fotograficamente alguns eventos relevantes decorridos no primeiro semestre deste ano. Caso para dizer: o que os nossos “media culturais” esquecem ou desprezam (por ignorância, recalcamento ou má-fé), a NOVA ÁGUIA lembra…

No próximo número, a levantar voo no primeiro semestre de 2017, antecipamos desde já a publicação de uma série de textos resultantes de dois eventos promovidos pela NOVA ÁGUIA e pelo MIL: Movimento Internacional Lusófono – falamos do Colóquio “Afonso de Albuquerque: Memória e Materialidade”, decorrido em Dezembro de 2015, que assinalou, da forma descomplexada que nos é (re)conhecida, os quinhentos anos do seu falecimento, e do IV Congresso da Cidadania Lusófona, realizado em Março deste ano, que teve como tema “O Balanço da CPLP: Comunidade dos Países de Língua Portuguesa – 20 anos após a sua criação”.

 
Lançamento: 21 de Outubro, na Biblioteca Nacional (Lisboa), às 18h.


sábado, 15 de outubro de 2016

Índice final da NOVA ÁGUIA 18...


Editorial…5

ENTRE ARIANO SUASSUNA E VERGÍLIO FERREIRA

O TEATRO DE ARIANO SUASSUNA | António Braz Teixeira…8

O ROMANCE D’A PEDRA DO REINO | Constança Marcondes César…16

A TEORIA ESTÉTICA DE ARIANO SUASSUNA | Manuel Cândido Pimentel…23

ARIANO SUASSUNA E O INTEGRALISMO | Paulo Dias Oliveira…28

A COMPADECIDA DE SUASSUNA: DA TEOLOGIA À EXPRESSÃO POPULAR | Pedro Sinde…35

ENTRE ARIANO SUASSUNA E AGOSTINHO DA SILVA: UMA CERTA VISÃO DO BRASIL | Renato Epifânio…39

VERGÍLIO FERREIRA OU A IRREDUTÍVEL OBSTINAÇÃO DE PENSAR OS LIMITES DO PENSAR |Vincenzo Russo…41

O ESPAÇO CONCÊNTRICO E LABIRÍNTICO EM ALEGRIA BREVE | Susana Roque Bravo…44

OS ESPAÇOS DO SAGRADO E DA TRANSFIGURAÇÃO EM PARA SEMPRE, DE VERGÍLIO FERREIRA | Paula Oleiro…49

A ARTE NO PENSAMENTO DE VERGÍLIO FERREIRA | Nuno Sotto Mayor Ferrão…61

ANÁLISE DA CARTA AO FUTURO DE VERGÍLIO FERREIRA: EXISTENCIALISMO E HUMANISMO | Maria Luísa de Castro Soares…67

LEMBRANDO COM GRATIDÃO VERGÍLIO FERREIRA | Manuel Ferreira Patrício…72

ALGUNS DOS NOSSOS MELHORES FILÓSOFOS SÃO POETAS? (RE)PENSAR VERGÍLIO FERREIRA | Luísa Borges…75

COMO DIRIGIR UMA «CARTA AO FUTURO», SE O FUTURO NÃO EXISTE? | Carlos H. do C. Silva…80

NUMA EXISTÊNCIA QUE SE LHE APRESENTA… | António Braz Teixeira…87

OUTRAS EVO(O)CAÇÕES

AGOSTINHO DA SILVA | Eduardo Lourenço…90

ALMADA NEGREIROS | La Salette Loureiro…94

AMADEO DE SOUZA-CARDOSO | Luís de Barreiros Tavares…104

ANTÓNIO SÉRGIO | Vincenzo Russo…114

CAMILO CASTELO BRANCO | João Bigotte Chorão…120

CERVANTES | Luís G. Soto…123

DAVID MOURÃO-FERREIRA | Brunello Natale De Cusatis…125

GIL VICENTE E WILLIAM SHAKESPEARE | Delmar Domingos de Carvalho…130

JOÃO PAULO MONTEIRO | Luís Lóia…132

PAULO FREIRE | Elter Manuel Carlos…134

TEIXEIRA DE PASCOAES | António José Queiroz…139

UNAMUNO | Mafalda Blanc…145

OUTROS VOOS

CIDADANIA EUROPEIA E A CONSTRUÇÃO DO FUTURO DA EUROPA | Adriano Moreira…152

A EDUCAÇÃO NA 1ª REPÚBLICA | Artur Manso…157

A IMPORTÂNCIA DAS DIÁSPORAS PARA ANGOLA | Carlos Mariano Manuel…169

PARA UMA ESPIRITUALIDADE LUSITANA | Joaquim Pinto…175

A ÚLTIMA VÍTIMA DA PENA DE MORTE | José Lança-Coelho…193

BRASIL E PORTUGAL, OS CAMINHOS DA SEPARAÇÃO E OS MOTIVOS DA REAPROXIMAÇÃO | José Maurício de Carvalho…195

A FILOSOFIA E A SUA PLURALIDADE II: AS CORRENTES FILOSÓFICAS | Maria Leonor L.O. Xavier…207

A TEORIA DOS ESTRANGEIRADOS | Miguel Real…210

UM PROGRAMA DE TRANSPOLITIZAÇÃO | Pedro Vistas…215

A RENASCENÇA PORTUGUESA E A SEARA NOVA | Pinharanda Gomes…224

A ÁRVORE DA VIDA | Rodrigo Sobral Cunha…234

AUTOBIOGRAFIA I | Samuel Dimas…238

EXTRAVOO

Inéditos de Agostinho da Silva, Delfim Santos, Raul Leal e Vergílio Ferreira…242

BIBLIÁGUIO

PAISAGEM PORTUGUESA | Joaquim Domingues…262

EPISTOLÁRIO DE ANTÓNIO QUADROS E ANTÓNIO TELMO | José Almeida…266

A ÚLTIMA ENTREVISTA DE AGOSTINHO & DUAS OBRAS MARCANTES PARA A FILOSOFIA LUSÓFONA | Renato Epifânio…267

Q: POEMAS DE UMA QUIMERA & ÉTICA EPISTEMOLOGICA | Mendo Castro Henriques…268

A IMAGEM DE PORTUGAL NA GALIZA | Maria Dovigo…270

QUERO DIZER-TE, AMOR | António José Borges…272

POEMÁGUIO

Joaquim Carvalho | ESPANTOSO REFLEXO…6

Jesus Carlos | ARIANO SUASSUNA…6

Maria Luísa Francisco | A VERGÍLIO FERREIRA…7

António José Borges | POEMA REVOLVIDO PARA TI E PARA ELE; O POETA E LEONARDO…88

Jaime Otelo | SONETO NUM PERFUME; SONETO NUM ANEL…89

Manoel Tavares Rodrigues-Leal | EROS FRENÉTICO; PASSAGEM DE CECÍLIA MEIRELES; AS ONDAS…150

Delmar Maia Gonçalves | NO PRECISO INSTANTE…151

Joaquim Pinto | EU,  EM DEUS… DEUS,  EM MIM…151

Paulo Ferreira da Cunha | DAS FELICIDADES; MONÓLOGO AO PÔR-DO-SOL; EMBALADOS…260-261

Samuel Dimas | SONHO REALIZADO; MORRER; VIVER…274-275

MEMORIÁGUIO…276

MAPIÁGUIO…277

ASSINATURAS…277

COLECÇÃO NOVA ÁGUIA…280

21 de Outubro | Lançamento da NOVA ÁGUIA 18, na Biblioteca Nacional...

BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGAL, 21 DE OUTUBRO, 15:30H – 18:25H:
  • (15:30 às 16:00) – Visita Guiada à Exposição;
  • (16:00 às 16:30) – Artur Manso – Delfim Santos: considerações sobre poesia e pensamento abstrato;
  • (16:30 às 17:00) – Samuel Dimas – A crítica de Delfim Santos à interpretação monista da realidade operada pelo Positivismo;
  • (17:00 às 17:30) – Francisco Miguel Araújo – Delfim Santos e o espectro da 1.ª Faculdade de Letras do Porto;
  • (17:30 às 18:00) – José Maurício de Carvalho – Delfim Santos, a arte e a vida no diálogo com Ortega e Karl Jaspers;
  • (18:00 às 18:25) – Renato Epifânio – Lançamento da Nova Águia, 18.

Ler mais: http://iflb.webnode.com/a2016-50-anos-da-morte-de-delfim-santos/

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Sobre Ariano Suassuna, para a NOVA ÁGUIA 18...

O TEATRO DE ARIANO SUASSUNA | António Braz Teixeira
O ROMANCE D’A PEDRA DO REINO | Constança Marcondes César
A TEORIA ESTÉTICA DE ARIANO SUASSUNA | Manuel Cândido Pimentel
ARIANO SUASSUNA E O INTEGRALISMO | Paulo Dias Oliveira
A COMPADECIDA DE SUASSUNA: DA TEOLOGIA À EXPRESSÃO POPULAR | Pedro Sinde
ENTRE ARIANO SUASSUNA E AGOSTINHO DA SILVA: UMA CERTA VISÃO DO BRASIL | Renato Epifânio

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

De Rodrigo Sobral Cunha, para a NOVA ÁGUIA 18...


A ÁRVORE DA VIDA
 
A árvore é um ser que habita este mundo em todas as suas dimensões. Pelas raízes mergulha no húmus em busca de água, chegando por vezes a lençóis freáticos e a rios subterrâneos, junto dos quais bebe em plena obscuridade, embora seja também possível observar raízes à beira dos rios e lagos na superfície da terra. Pela copa, revestida de folhagem, a árvore mora já nos céus luminosos, de braços abertos para o sol radioso, o que faz dela um ser de luz. O tronco da árvore, como o caule da planta, une o submundo humoso das raízes ao mundo celeste luzidio. A isto acrescenta-se o ritmo circadiano da respiração, pois este ser, como todos os viventes, respira. A árvore é, pois, um ser feito de fogo, de ar, de terra e de água.
(excerto)

domingo, 4 de setembro de 2016

De Miguel Real, para a NOVA ÁGUIA 18...


A TEORIA DOS ESTRANGEIRADOS
Um dos efeitos mais vibrantes desta esquizofrenia cultural, factor de sustento de um imaginário dividido, uma espécie de “consciência infeliz” de Hegel ou de “dissociação” da mente de Freud, reside justamente na tese/teoria que postula os “estrangeirados” como causa e motor da cultura portuguesa.
(excerto)

De Pinharanda Gomes, para a NOVA ÁGUIA 18...


A RENASCENÇA PORTUGUESA E A SEARA NOVA
Pinharanda Gomes
 
"Quanto às linhas filosóficas predominantes, parece que o sergismo não gerou um discipulato, enquanto o leonardismo tem gerado uma sucessão de discípulos que se reivindicam da herança renascentista."

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

De Joaquim Pinto (pai da Teodora) para a NOVA ÁGUIA 18...

OPÚSCULO SELECTO PARA UMA ESPIRITUALIDADE LUSITANA: DA DEUSA ATLÂNTICA OU UMA EXORTAÇÃO AO ESPÍRITO LUSITANO
Joaquim Pinto
 
“A saudade é Deusa atlântica, não mediterrânea. Os Iberos são atlânticos, esses refugiados do Cataclismo que submergiu o célebre continente, se a Deusa mediterrânea é branca de mármore, em fundo azul, a Deusa atlântica é sentimental e enevoada, e tem, como as Nébulas, a milhões de anos-luz, (…) o quer que é de fabuloso. Mas o fabuloso está na nossa intimidade; e assim vivemos em pleno Reino da Fábula, que nós somos antes de ser e depois de ser, ou ausentes no passado e no futuro, na lembrança e na esperança. Apenas somos presentes nos braços da nossa mãe.”[1]
À amizade entre Teixeira de Pascoaes e o lusófilo
Philéas Lebesgue[2]



[1] Teixeira de Pascoaes, “Da Saudade (1952) ”, in A Saudade e O Saudosismo (Dispersos e Opúsculos), Assírio & Alvim, fixação do texto e notas de Pinharanda Gomes, Lisboa, 1988 p. 246
[2] Colaborador assíduo na revista A Águia, razão pela qual o autor deste artigo considera merecida, justificada e em lugar adequado esta humilde invocação, Philéas Lebesgue foi considerado como o maior lusófilo da tradição filosófico-cultural lusitana. Para além disso, não é demais salientar que foi por via da sua direção na conceituada Mercure de France, na qual publicou os mais renomeados autores da Renascença Portuguesa, que o pensamento português ampliou as suas fronteiras. Assumido adorador de Dante, Hugo e Virgílio, podemos caracterizar o seu pensamento como uma Filosofia Essencial, Humanista e Surrealista que preconiza o homem, na sua individualidade e, em associação, em povo, como ressonância do Verbo: língua, símbolo e poesia, e que é por via da história que se revela o homem a si mesmo. Cf. Philéas Lebesgue, Mes Semailles, Bensaçon, L´Amitié Par le Livre, 1979, p. 271 e 279.

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

De Eduardo Lourenço, sobre Agostinho da Silva, para a NOVA ÁGUIA 18...


Montaigne define, apenas, porque ele era tão amigo de La Boétie, e La Boétie tão amigo de Montaigne, com esta ideia tão maravilhosa: “…porque era ele… porque era ele…”
E isto é o ser da realidade fundamental de cada destino humano: era encontrar o outro que nos liberte de nós próprios. E isso chama-se amor. Com uma letra pequena ou com uma letra grande. Para Agostinho da Silva foi sempre com Letra Grande.
(excerto)

sábado, 20 de agosto de 2016

Sobre Vergílio Ferreira, para a NOVA ÁGUIA 18...


VERGÍLIO FERREIRA OU A IRREDUTÍVEL OBSTINAÇÃO DE PENSAR OS LIMITES DO PENSAR |Vincenzo Russo

O ESPAÇO CONCÊNTRICO E LABIRÍNTICO EM ALEGRIA BREVE | Susana Roque Bravo

OS ESPAÇOS DO SAGRADO E DA TRANSFIGURAÇÃO EM PARA SEMPRE, DE VERGÍLIO FERREIRA | Paula Oleiro

A ARTE NO PENSAMENTO DE VERGÍLIO FERREIRA | Nuno Sotto Mayor Ferrão

ANÁLISE DA CARTA AO FUTURO DE VERGÍLIO FERREIRA: EXISTENCIALISMO E HUMANISMO | Maria Luísa de Castro Soares

LEMBRANDO COM GRATIDÃO VERGÍLIO FERREIRA | Manuel Ferreira Patrício

ALGUNS DOS NOSSOS MELHORES FILÓSOFOS SÃO POETAS? (RE)PENSAR VERGÍLIO FERREIRA | Luísa Borges

COMO DIRIGIR UMA «CARTA AO FUTURO», SE O FUTURO NÃO EXISTE? | Carlos H. do C. Silva

NUMA EXISTÊNCIA QUE SE LHE APRESENTA… | António Braz Teixeira


terça-feira, 16 de agosto de 2016

De Raul Leal, para a NOVA ÁGUIA 18...


O texto de Raul Leal (1886-1964) aqui em jogo foi o primeiro de três textos – os restantes são de Natália Correia e de Lima de Freitas – que serviram de introdução ao livro Mário Cesariny (Secretaria de Estado da Cultura, Lisboa, 1977, pp. 7-11). É porém possível – o livro não o esclarece – que o texto, escrito a propósito da primeira exposição pictórica de Mário Cesariny, que teve lugar em 1958, na Galeria do Diário de Notícias em Lisboa, tenha tido anterior publicação, porventura no ano da mostra e no jornal que a tutelou, mas que desconhecemos.

Trata-se de peça pouco conhecida – Pedro Vistas, por exemplo, não a acolhe no recentíssimo “Raul Leal ou da Inclassificável Vertigem: a propósito da tentadora atribuição do título de “surrealista” à obra lealina” (in NOVA ÁGUIA, n.º 17, 2016, pp. 126-136) – mas de valia maior para se sopesar o binómio Raul Leal/ Mário Cesariny. Apreciada até hoje apenas a partir dos escritos de Cesariny consagrados a Leal, a relação dos dois, e até a de Leal com o surrealismo, ganha novo espaço e nova luz com este texto. Não é meu propósito classificar à força Raul Leal de “surrealista” mas apenas, recuperando um texto semi-inédito do autor de Sodoma Divinizada, dar a conhecer o invulgar apreço que Leal teve por Cesariny e pela sua aventura – surrealista esta sem qualquer dúvida. É mais um passo, pequeno mas seguro, para se avançar no estudo das relações de Raul Leal com o surrealismo.

Neste domínio, vasto e complexo, tirar conclusões precipitadas é prejudicial. Pior do que isso, só mesmo abordá-lo com falta de simpatia e com redutoras ideias feitas. Não poderá haver estudo compreensivo sobre as relações de Leal com Cesariny e com o surrealismo sem espírito aberto de simpatia, o único que se pode mostrar profícuo em empresa desta natureza. Sem abertura, sem cautela na emissão dos juízos e sobretudo sem a empatia que nos leva a compreender, o resultado neste terreno volve-se frouxo e caricatural, tornando-se uma ocasião perdida de fazer avançar a luz.

Sobre o texto em causa seja-me permitido só constatar que a experiência de criação surrealista de Cesariny, poético-pictórica, encontra tradução plena no glossário de Raul Leal. Estado de sublimação abstraccionante, diz o autor a propósito do impulso criativo de Cesariny. Nenhum fosso, nenhum desajustamento, nenhum desacordo, pois, entre o vocabulário mais significativo do pensamento de Leal e a criação surrealista.

António Cândido Franco

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

De Delfim Santos, para a NOVA ÁGUIA 18...


Esta reflexão autobiográfica de Delfim Santos, com incidência nos fatos mais marcantes da vida académica do autor, está inédita na sua quase totalidade, excetuando um trecho final incorporado na última edição das Obras completas.

Foi composta em dois capítulos, por ocasião de três marcos institucionais: o doutoramento, com um aditamento aposto na entrada como docente na Faculdade de Letras de Lisboa, e o concurso para professor catedrático.

Do primeiro capítulo existem dois datiloscritos, tendo um deles anotações marginais a lápis não retidas no seguinte, que é cópia daquele com algumas correções estilísticas menores. Foram incorporadas as anotações do original e aceites algumas correções da cópia.

O segundo capítulo existe em versão manuscrita, com a particularidade de Delfim Santos hesitar aqui entre a terceira e a primeira pessoas autorais. Apesar de referir que «uma autobiografia intelectual não é exigente de confissão», apresenta uma reflexão mais amadurecida, menos factual e mais poética sobre a sua existência passada. Notável é o símile entre o ourives, ofício a que seu pai o destinava, que com a sua arte logra transformar o metal precioso em algo ainda mais belo, e o pedagogo em que o seu destino se manifestou, que o mesmo faz às almas dos educandos.

Esta autobiografia foi completada por meditações anuais, escritas em diversas passagens de ano desde os inícios dos anos 40 até 1953 e a publicar posteriormente: de teor mais introspetivo, constituem páginas de um anuário íntimo, permeadas pela angústia e pelo desespero próprios deste registo. Neste mesmo tom existencial subsistem ainda as suas poucas páginas de poesia, por vezes de caráter religioso, em que a expressão do sentimento se sobrepõe ao estro.

No conjunto, os escritos autobiográficos de Delfim Santos, compostos pela presente autobiografia, pelo anuário íntimo, pelas poesias e por certas páginas da sua correspondência com os amigos mais íntimos ou com alguns familiares, documentam o impulso confessional e o desejo de autognose cultivados pela sua geração, que depurou a retórica do discurso tradicional do sujeito com as suas novas exigências de sinceridade e genuinidade, impostas à geração que viveu as duas Guerras pelo sentimento da preciosa fragilidade do Eu.

Filipe Delfim Santos

domingo, 7 de agosto de 2016

Evocação de João Paulo Monteiro, para a NOVA ÁGUIA 18...


Nos seus estudos sobre David Hume, ocupou-se principalmente dos problemas da indução e da causação, entendendo a indução do ponto de vista das inferências causais, do raciocínio lógico causal, e não tanto das relações observáveis entre os objetos e suas qualidades; aliás, prova disso mesmo é, segundo Hume, a nossa capacidade de antecipar relações causais antes mesmo da observação dos fenómenos. Na mesma esteira, concebe o hábito como uma construção teórica que não se manifesta sempre que um fenómeno é observado, isto é, a observação dos fenómenos não é confrontada sempre com outros fenómenos já observados, pois que o hábito é, como princípio, inato, e possibilita uma construção teórica sobre possíveis causas ainda não observadas, não sendo por isso um princípio puramente empírico. Para João Paulo Monteiro, o conhecimento em David Hume refere-se aos fenómenos observáveis; no entanto, as causas e os efeitos observados só o são assim considerados porque há um mecanismo ou princípio da natureza humana que identifica uma regularidade nos fenómenos que os próprios fenómenos não dão à observação. É a clássica questão dos “poderes ocultos” que agem no mundo dos fenómenos entre aquilo que consideramos ser a causa e o efeito – veja-se a questão da gravidade em Newton e David Hume. Tal pressuposto coloca o nosso autor ao lado daqueles que consideram David Hume um realista em termos ontológicos, embora cético moderado em termos gnosiológicos, não obstante e ao contrário de outras leituras, a tarefa a que o filósofo escocês se determinou empreender, isto é, compreender a natureza humana numa tentativa de introdução do método experimental em assuntos morais, conduziu-o claramente à identificação dos princípios que dirigem as operações da mente com aqueles princípios que podemos observar na relação dos fenómenos no mundo exterior à mente.
João Paulo Monteiro faleceu no dia dezassete de abril deste ano de dois mil e dezasseis. A sua obra e o seu legado certamente perdurarão nos estudos humianos de língua portuguesa (excerto).
Luís Lóia